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Hainelol
Captain

PostPosted: Tue Nov 20, 2007 6:54 pm


PostPosted: Tue Nov 20, 2007 6:59 pm


Título: Lamentos ao Vento
Estilo: Redação
Gênero: Romance (shounen ai), drama.
Tipo: Oneshot.
Censura: Livre.
Disclaimer: Fafner não me pertence (caso contrário, teria o quádruplo de insinuações yaoi do que tem), apenas me amarro em assimilar fics sobre o anime. =/



Lamentos ao Vento



Respirei fundo. Fazia quanto tempo desde que você partiu? Uma semana... As minhas lágrimas agora molham o calendário. Primeiro Shouko, depois Koyou... Agora você, Soushi? Por que tudo é tão cruel? Por que você teve que partir? Os festums¹ não incomodam mais. Todavia, a vida sem você é pior do que ser torturado até a morte.
Essa ferida no meu peito que faz meu coração doer não vai cicatrizar. Ela é por sua culpa. Sim, quando você falou em não ter sobrado muito de seu corpo, senti como se alguém tivesse cravado uma faca em meu peito e girado a lâmina. Uma dor alucinante, que me fez entrar em desespero: gritar, chorar...
Sinto falta da sua voz: por mais fria que parecesse, me reconfortava. Aqueles seus olhos. Belos e serenos, passavam o sentimento de total indiferença aos outros, mas para mim passavam afeto. Aquela sua cicatriz, que aliás fui eu mesmo quem a causou. Por causa dela você sempre teve que acompanhar nossos combates da Ilha. Sinto muito... Mas eu periferia mesmo que você ficasse aqui, protegido.
Aliás, era o que eu pensava. Protegido por camadas e camadas de ferro, aço, terra... você foi capturado. Os festums queriam acabar com meu coração, não é? Não conseguiam me destruir enquanto eu pilotava o Fafner², então apelaram... Minha respiração fica pesada ao pensar em você. Passamos tanto tempo sem trocar uma palavra.
Arrependo-me disso: agora, se eu tivesse a oportunidade, pularia no seu pescoço dizendo "eu te amo, sempre te amei". Nós, humanos, que só reconhecemos o valor das coisas importantes e valiosas quando elas são tomadas de nós. Essa frase é de extrema verdade e eu estou sentindo-a na pele.
Enxugo uma lágrima, que teimava em escorrer por minha face gelada deixando seu rastro úmido e quente, lembrando das suas palavras. "Recriar a existência". Seria possível? Você voltaria? Claro que voltaria. Se você disse, você cumpre. Ri de mim mesmo: estava enlouquecendo.
Ainda deitado na cama, aonde estava desde que tinha começado a pensar em você, de novo, tateei em busca do relógio. Quatro da tarde. Eu tenho passado todos os dias deitado na cama pensando em você, analisando nossas fotos juntos. Lembrando-me de fatos que passamos.
Como o Festival das Lanternas: inúmeros barquinhos com velas dentro era largados no mar. Aquelas belas luzes que eram apreciadas de longe por todos os habitantes da Ilha. Nós dois no tiro ao alvo, só conseguimos o prêmio de consolação: uma maçã do amor... Epa! Seria uma indireta daquele cara para nós dois? - Sorri rindo de mim mesmo. Minha admiração pelo Soushi estava tão grande que o pessoal já tinha notado.
Recordo-me do dia que fui em seu quarto: bastante simples, limpo e organizado... Passava um ar impessoal, como se não fosse seu. A parte mais interessante dele era a foto nossa e de nossos amigos. Ela alegrava aquele quarto e, pelo visto, a você também - que a deixou como um quadro, num lugar que todos pudessem ver.
Passei a mão em minha face, decidido a me levantar. Vesti-me rapidamente e fui a cozinha, comi algo simples e saí para caminhar. Tomar um ar faz bem de vez em quando. O vento balança meus cabelos escuros, quando isso acontece, sinto-me livre. Respirar aquele ar puro junto com você era uma dádiva. Seus cabelos, bem mais longos, balançavam sempre harmoniosamente. Sempre que me lembro da visão que tinha quando caminhava com você, penso: "Como não te abracei pelas costas e senti aquele perfume delicioso de seus cabelos castanhos"?
A casa de banhos. Sorrio ao vê-la. Foi lá onde Michio, Kenji, Mamoru, você e eu nos divertimos muito. O capacete que Mamoru usava, aquele que parecia um Gundam³, que eu coloquei sobre sua cabeça, Soushi. Você ficou bravo, como de costume: "O que pensa que está fazendo"? Ahh... O tom que você usou, as palavras... ecoam por minha mente e me fazem sentir bem.
O lugar que estou vendo agora, lembra-me daquela conversa que tivemos:

- Soushi, o que é mais importante para você? As pessoas ou os Fafners?
- Os Fafners.

Mentiroso. Mentiroso. Mentiroso. Se fosse verdade, você não teria ficado triste pelas mortes que houveram, me deixado falar com Canon ou sentiria as mesmas dores que nós, de tão forte que eram o forçavam a tomar remédios. Que idiota você era. Tão orgulhoso e incapaz de demonstrar os seus sentimentos.
Após caminhar mais um pouco, consigo ver a árvore: onde aconteceu aquele acidente. Quando eu feri seu olho. Ao invés de te ajudar ou pedir ajuda, eu corri. Corri te deixando para trás.
Sentado encostado no tronco daquela árvore, respiro fundo. O vento ainda acariciava meu rosto, trazia o perfume das flores que desabrocharam, sussurrava em meus ouvidos... Adormeci. Deixando uma lágrima rolar.

Anata wa soki ni imasu ka? (Você está aí?)


Eu estou aqui. Agora e sempre. Eternamente te esperando. Esperando o momento que poderei sussurrar em seu ouvido "Eu te amo", em seguida beijando seus lábios suaves. Eu, Kazuki, sempre esperando e amando você, Soushi.


Fim

Hainelol
Captain


Hainelol
Captain

PostPosted: Wed Nov 21, 2007 1:56 pm


Título: Acampamento Macabro
Estilo: Redação
Gênero: Comédia.
Tipo: Oneshot.
Censura: Livre.
Disclaimer: Ouran High School Host Club não me pertence. o_o E essa fic é um presente de aniversário para a Violet.



Clube de anfitriões em...
Acampamento Macabro



Saudações, meros mortais! Sou eu, o grande príncipe, o belo, maravilhoso, incrível e extremamente modesto Tamaki, presidente do Clube dos Anfitriões quem vai narrar a história. Primeiramente, quero apresentar a vocês, plebeus desprovidos de qualquer informação sobre os passatempos da elite, o que é o clube dos anfitriões!
Nós, um grupo de garotos ricos e maravilhosos, nos unimos e decidimos fazer um clube para agradar as garotas. Nosso principal objetivo é levar a alegria a todas as jovens senhoritas. Para isso, temos uma equipe composta dos maiores profissionais na arte de agradar uma donzela de Ouran.
Somos divididos em tipos. Eu, o maravilhoso Tamaki, sou o príncipe! Um Deus grego. Tenho olhos claros e cabelos dourados. Não, eu não sou aquela porcaria desprovida de nariz e anabolizada do Bred Pit. Eu sou duzentas e quarenta e sete mil cento e quarenta e sete vezes mais perfeito que ele. Sinceramente! Perto de mim, um mestiço de japonês com francês, ele não dá nem para o caldo.

- Meu senhor! Pare de enrolar, você está falando de si mesmo em vez de falar do acampamento!

Nada temam, Hikaru, Kaoru! Ah, quem são Hikaru e Kaoru? São nossos gêmeos. Cabelos ruivos e sorrisos largos são alguns dos seus maiores charmes. Mas... principalmente o carinho familiar que tem um pelo outro. Nossas clientes, realmente, se comovem ao ver irmãos tão unidos como esses.
Mitsukuni Haninozuka, ou simplesmente Honey, é nosso senpai (aluno veterano) apesar de parecer mais jovem que eu. Tem cabelos loiros, como os meus e seus olhos transmitem muita emoção. Carrega sempre seu coelho de pelúcia e é apaixonado por doces, em especial os bolos.
Honey é protegido por Takashi Morinosuka, que tem uma aparência bastante selvagem. Ele é forte fisicamente e domina técnicas de espada. Hamn... realmente é uma pessoa de poucas palavras e um pouco estranha, mas é muito obediente.
Kyouya...! Tenham medo, plebeus, muito medo. Frio e calculista, Kyouya Ootori nos observa com um olhar assassino por trás daqueles óculos que brilham de maneira sinistra. Seus cabelos negros e sua seriedade são suas marcas mais fortes. Ele que cuida da parte financeira do nosso clube... e foi ele quem promoveu esse acampamento.
Temos uma adorável plebéia entre nós: Haruhi Fujioka. Nos viciou em café instantâneo e capturou o coração de todos os jovens de nosso clube...! Mas por causa da sua dívida de alguns meros milhões ou bilhões de yen, ela é obrigada a se vestir de homem e a ser um anfitrião... Oh, pobre Haruhi...!

- Senpai, está sendo insolente.

In-so-len-te...? ... Bom, eu acho que não esqueci de apresentar mais ninguém.

- Hohohohoho~~ ho-ho!

Er... digo, ainda contamos com a presença de nossa gerente: Renge Hoshakuji. Uma garota adoravelmente otaku. Ela é uma jovem francesa que se especializou em mudanças de personalidade. Treinou aquele pirralho (episódio seis) e mais uma pessoa... Hamn... quem era?
Ah! Não liguemos para esses seres de menor importância! Fim da Introdução! Divirtam-se conosco em nosso acampamento, Renge fará a gentileza de narrar de agora em diante. Por favor, sejam bem vindos e lembrem-se de nos visitar na Terceira Sala de Música de Ouran.

- Vingança... - uma pessoa, em um canto escuro, mormura essa palavra antes de sumir na escuridão.

Hohohohohoho~~ Ho-ho! Como Tamaki, o falso príncipe, já disse: eu sou a Renge, sua narradora! Vou contar as aventuras do nosso clube de anfitriões. O ideal seria essa história ser contada do modo script, mas a escritora prefere contar em redação.
Vou começar contando como o clube teve a idéia de ir acampar. Porque... pessoas ricas, como eu, que não sabem o que é café instantâneo NÃO ACAMPAM! Não, em hipótese alguma, acampamos! Mas... então, por que o clube de anfitriões, que tem digníssimas pessoas ricas, decidiu acampar...?

- Pessoal! Eu, em minha curiosidade para compreender Haruhi [Tamaki Interior: e fisgar seu coração], li uma revista plebéia adolescente!
- E...? - indaga Kyouya, sem interesse.
- Os plebeus adoram acampar! *onomatopéia: Tantããããns!*
- Quem se importa? - diz Hikaru.
- Por que iríamos querer saber disso? - Kaoru completa o irmão, e toma mais um gole de seu chá.
- Haru-chan deve gostar de acampar também. - sorri Honey, abraçando forte seu coelhinho - Parece ser muito-muito divertido, não é Takashi?
- Sim.
- Então! Que tal convidarmos Haruhi e irmos todos acampar!

*Motor de alta potência*

- Hohohoho~~! Isso me pareceu uma idéia fantástica, Tamaki-falso-príncipe-senpai. - respira fundo - Isso é uma experiência única, eu, como a gerente, irei junto!
- Nem pense nisso. Cai fora, Otaku. - dizem, rispidamente, Hikaru e Kaoru.
- Nyaaa~! Vocês não se agradam de minha companhia?
- Não mesmo. Suma.

Vocês viram como eles me tratam mal? E ainda me pedem para ser a narradora! Humpt, esses garotos. De qualquer forma. Estava decidido que eles iam acampar, só faltava uma coisa: convidar Haruhi. Honey foi encarregado dessa importante missão.
Por que logo Honey e não os gêmeos que estavam na mesma turma que Haruhi? Porque, simplesmente, Honey possuía uma arma secreta: sua fofura.

- Haaaaruuuu-chan! - exclama Honey, abraçando a garota.
- O que foi, Honey-senpai?
- Euuu queria te convidar para um acampamento!
- Ah... eu não sei...
- Você... vai, né? Se não for, eu e o coelhinho ficaremos muito tristes. - olhos debulhando em lágrimas, lábios franzidos em um beicinho, o coelhinho de pelúcia sendo abraçado com força... há quem resista?
- Acho que não, senpai. - Há. Tem gente que consegue resistir.

De volta ao clube, derrotado, Honey informa aos companheiros o fracasso da missão. Então se reúnem e decidem enviar os gêmeos para convencer Haruhi. Todos sabem que tanto Kaoru como Hikaru são peritos na arte de irritar os outros.

- Hei, hei, Haruhi.
- Kaoru. Hikaru.
- Honey-senpai já te falou, mas...
- Nós do clube de anfitriões queremos acampar.
- E como você é do clube, seria bom se você fosse.
- Nem morta. - ela despreza os gêmeos.
- Ahhh! Haruhi! - exclamam os dois juntos, puxando as bochechas de Haruhi - Poooooooor favor!
- Não.
- Haruhiii! - um puxava uma mecha de cabelo e o outro apertava o nariz da jovem - Por fa-a-avor!
- Nunca.
- Haruhiiiiiiiii! - agora um cutucava a testa dela e o outro puxava a orelha - Por favor!
- SUMAM! - os gêmeos foram jogados longe.

Tamaki pareceu preocupado em relação ao fracasso dos gêmeos: geralmente eles irritavam tanto que qualquer um tanto que a pessoa faria tudo que eles mandassem para eles pararem, inclusive lamber graxa ou chupar cabo de pau de guarda-chuva. Mas... ainda tinham um apelo.

- Haruhi.
- Ah, Kyouya-senpai.
- Eu soube que você recusou os convites de vir acampar com o clube de anfitriões de Honey, Hikaru e Kaoru. Bem, eu estou aqui para te convencer a mudar de idéia. Se você aceitar ir no acampamento, eu posso retirar 1/3 da sua dívida por causa de um certo vaso, está lembrada? Todavia se recusar o convite eu posso muito bem adicionar o que gastamos no acampamento, sem você, na sua dívida. Então, o que acha?
- Kyouya-senpai tem o dom de falar muito e de convencer... eu vou.

Hohohoho! Agora que nossa heroína desleixada foi convencida, podemos finalmente começar o acampamento.
Foi numa quente e ensolarada manhã de primavera que o clube de anfitriões se reuniu em frente à escola. Seriam levados de carro até a entrada do local que disponibilizava uma espécie de parque para acampamentos. Depois, teriam que se virar: procurar comida, água e armar tendas.
Depois de chegarem ao parque, escolheram um bom lugar para acampar: perto de uma laranjeira e de um riacho. Conseguiram, depois de algum esforço armar as barracas. A disposição das barracas foi a seguinte. Não tenho certeza se isso terá alguma importância, mas enfim:

Cor da Barraca - Pessoa que vai ficar
Azul escuro - Tamaki e Kyouya
Laranja - Honey e Mori
Azul claro - Hikaru e Kaoru
Violeta - Haruhi

Famintos procuraram em suas bolsas por comida, mas nada encontraram.

- Hikaru, Kaoru! Vocês tinham dito que trouxeram biscoitos!
- Trouxemos! Mas eles sumiram.
- E seus bolos, Honey?
- Não achei nenhum! Nem o de chocolate, morango, uva, cenoura, maçã, laranja, baunilha, chocolate branco, limão, chocolate com menta, morango com chantilly, abóbora, chocolate meio amargo, chocolate amargo, chocolate com flocos de arroz, chocolate com pimenta e nem de chocolate com morango! (N/a: Vai ter fôlego assim na...!) - disse tudo isso, respirando fundo em seguida.
- ...existe bolo de abóbora e de uva? - perguntou Haruhi.
- Creio que estamos sem comida. - Kyouya pegou seu celular e tentou discar um número, mas percebeu que este estava fora da área de cobertura. - Vamos ter que nos virar.
- O quê? - gritou o presidente do clube - Você está se referindo a catar frutas, colher cogumelos, pescar e fazer uma fogueira improvisada com gravetos?
- Sim.
- Legaaaaal! - gritou Honey. - Vamos pegar laranjas, Takashi!

Todos se dividiram em tarefas e, mesmo com alguns deles relutantes, trabalhavam juntos. Aquelas confusões que os rapazes ricos faziam em coisas simples, já que sempre tiveram alguém para fazer por eles, divertiam Haruhi.
Os risos foram interrompidos por um grito vindo da floresta. O clube de anfitriões se reuniu, pensando no que fazer a respeito: ignorar ou mandar alguém lá.

- Haruhi. Vai ver o que houve.
- Ricos malditos...

Haruhi andou bastante por aquela floresta. Apesar da quantidade de árvores, uma boa quantia de sol penetrava por entre as folhas. Procurava o dono do grito, a pessoa podia estar em perigo. Até que viu uma espécie de manto negro como a noite, sem lua e sem estrelas, presa num galho de árvore.
A garota se aproximou do manto, uma respiração pesada chamou sua atenção: tinha um rapaz caído ali perto. Possuía os cabelos dourados e a pele alva. Já o vira antes, mas não lembrava aonde...

- Hei, você está bem...?
- ...sol...
- Sal?
- ...sol.
- Só?
- SOL! EU ODEIO O SOL! - se retorceu, tentando se esconder.
- Então... essa capa é sua?
- Não é óbvio?
- Você quer que eu te dê a capa?
- O que você está esperando?
- Entendi! Você odeia o sol e usa a capa pra se proteger!
- ...é evidente...
- Ok! - Haruhi alcançou a capa para o rapaz, que a vestiu e saiu correndo. - Cara doido...

A jovem voltou ao acampamento, contando do estranho acontecido para seus senpais que fizeram pouco caso da situação, voltando aos seus afazeres. Mal eles sabiam dos perigos que a noite lhes traria. Deitaram-se e dormiram tranqüilamente, até que o grito de Honey acordou a todos.
Correndo, os outros anfitriões chegaram na barraca cor-de-laranja onde encontraram um Honey chorando desesperadamente e um Mori que não sabia o que fazer.

- O que houve? - perguntou Kyouya, mais preocupado em voltar a dormir do que com seus senpais.
- ... Roubaram!
- O quê? - perguntaram os gêmeos, em uníssono.
- O coelhinho! - e voltou a chorar.
- Um seqüestrador de coelhinhos...! - Tamaki pensou um pouco, mas decidiu logo - Hikaru, Kaoru!
- Yes, sir!
- Procurem pistas!
- Senhor! Tem pegadas aqui, dos sapatos do nosso colégio. - disse Kaoru.
- E um fio de cabelo loiro! - completou Hikaru.
- Isso o faz o culpado. - Kyouya tomou a palavra. - Tamaki.
- E-euuu? Eu nunca faria algo assim! - em desespero, ao ver a aura assassina que crescia em torno de Honey.
- Tamaki. Estou desapontado. - Mori também ficou sombrio.
- Gente. Não vamos tomar decisões precipitadas. Pode ter sido outra pessoa.
- Haruhiii! Você tem razão! - Tamaki abraçava a perna da garota, como se fosse um cachorrinho. Se ele tivesse um rabo, estaria abanando-o.
- Retiro o que disse. Espanquem-no até a morte, Mori-senpai e Honey-senpai.
- Ahhhhhhh! Haruhi!
- Eu não sei se foi mesmo o Tama-chan. Talvez devêssemos procurar mais evidências.
- Como... aquilo!

Todos olharam para onde Kaoru apontou. Um tanto mais longe deles estava um vulto negro segurando nada menos que o coelhinho. Ao ver que foi descoberto, o vulto começou a se afastar rapidamente sendo seguido por todos os anfitriões.
Mori segurou com força o manto da pessoa, tirando-o. Assim o vulto demonstrou ter longos cabelos loiros. Honey mordeu com força a mão da pessoa, que caiu no chão gemendo.

- O bem sempre vence. ;D - dizem ao mesmo tempo todos os anfitriões fazendo pose. - Somos os Host-Rangers!
- Agora vamos ver quem é nosso ladrãozinho. - diz Kyouya, puxando o rapaz.
- Eu acho que já o vi antes...
- Humn... Ele é familiar. - Kaoru completa o irmão.
- Essa cara de coitado dele não é estranha mesmo! - diz Honey.
- Insolentes. - o estranho arranca o manto das mãos de Mori, rapidamente vestindo-o e se mostrando, agora, com os cabelos negros e um fantoche esquisito em mãos. - Agora lembram de mim?
- Ele é...! - Tamaki exclama com os olhos brilhando.
- Sim é! - Haruhi fica com o queixo caído.
- Darth Vader! - os gêmeos completam.
- NÃO SOU! SEUS TANSOS!
- Ele é Umehito Nekozawa. Do clube de magia negra. - Kyouya continua rabiscando em seu arquivo.
- ... e eu toquei naquele fio de cabelo amaldiçoado dele... - Tamaki desmaia.
- Senpai!
- Tamaki!
- Senhor!

Hohohoho~~ Ho-ho! Não disse que seria aterrorizante? Mas agora, a explicação para a pergunta que todos deve estar se fazendo: por que Nekozawa-senpai sequestrou o coelhinho de Honey-senpai? Ele mesmo responderá a vocês!

- Porque vocês se esquecem de mim! Nem na introdução falaram de mim! - mexeu seu boneco-fantoche - Eu vou torturá-los com esse boneco voodoo Beelzenef!

Mas foi Tamaki-insolente-senpai quem esqueceu de você! Por que sequestrou o coelho de Honey-senpai?

- Aquele loiro dormindo abraçado no coelho na barraca laranja não era o Tamaki? Ops, falha minha.

...e por que roubou a comida deles?

- Eu não roubei a comida de ninguém. o_O

... Maizen?

*ecoa uma risada maligna por todo lugar*
PostPosted: Wed Nov 21, 2007 2:03 pm


Título: O Sonho
Estilo: Redação
Gênero: Romance, hentai.
Tipo: Oneshot.
Censura: 18+.
Disclaimer: Saint Seiya não me pertence. xD Infelizmente. Essa fic é um presente para a Sara que quis que eu transformasse o Kamus mulher. loool



O Sonho



"Os sonhos revelam desejos do subconsciente".



Sentiu uma mão gelada tocar-lhe o ombro. Movimentos rápidos e teve seu nome chamado por uma voz suave, porém sem muita vivacidade. Aos poucos foi acordando e vendo-se em seu quarto. Levantou lentamente e bocejou, foi quando, finalmente, viu a quem pertencia a voz que lhe acordara. O susto foi tão grande que arregalou os olhos e os esfregou repetidas vezes, só podia ser ilusão de ótica.
Sabe, por muito tempo Milo de Escorpião admirou uma pessoa. Quer dizer, ele queria acreditar que não passava de uma "admiração", quando no fundo sabia que era o mais puro amor. Tentou se desiludir e se convencer de que nunca daria certo. O motivo? A pessoa que o cavaleiro da oitava casa zodiacal amava era um cavaleiro como ele. Kamus de Aquário. Um cavaleiro. Um homem. Um amigo. Alguém que nunca o amaria na mesma intensidade. Não apenas por esses motivos, o mago da água e do gelo, como era chamado, nunca demonstrara interesse em amor e ainda desprezava os sentimentos.
Milo às vezes pensava que, se o cavaleiro de Aquário fosse uma mulher, talvez tivesse alguma chance. Bem, os desejos nunca se realizam, era o que ele pensava, até ver uma garota com longos cabelos ruivos e olhos verde-mar a sua frente. Era Kamus. Ou melhor, lembrava Kamus. A mesma cor de cabelo, os mesmos olhos penetrantes porém gelados, os mesmos lábios rosados e finos que muitas vezes o cavaleiro de Escorpião já se imaginara beijando.

- Kam...?
- Você vai se atrasar se não se aprontar agora. - Disse a garota. - Milo, você está bem? Está pálido.
- Tive uns... pesadelos.
- Quanta infantilidade. - Rolou os olhos, não se abalando. - Você é um cavaleiro e teme meras fantasias de sua mente?
- Ah, eu tenho muito medo delas. - E frisou as últimas palavras.
- Se você diz. - Saiu do quarto. - Arrume-se logo. Vou estar na arena com os outros. Nem pense em faltar ao treinamento hoje.
- Já vou, já vou... - Resmungou Milo procurando uma roupa para colocar, apesar de sua vontade de continuar com o pijama para deitar-se e dormir mais.

Descendo a arena de treinamento, surpreendeu-se por nenhum dos outros achar anormal o fato do cavaleiro de Aquário agora ser uma mulher. Na verdade, agiam como sempre. Era Shaka quem estava lutando contra Kamus e os dois ignoravam as diferenças de sexo e se atacavam ferozmente, numa luta difícil. Milo até achou um pouco de exagero quando o cavaleiro de Virgem acertou com força o ombro de sua adversária que revidou com um golpe no estômago do outro.

- Aiolia... - Chamou o cavaleiro de Leão para perto de si.
- O que foi, Miluxo? - Perguntou o outro, sorridente.
- Ahn... Sabe... Sobre o cavaleiro de Aquário... Bem...
- Quê? Do que você está falando, Milo? - Riu. - Se tem alguém que a conhece esse alguém é você, ou vai me dizer que bateu a cabeça por aí?
- Sempre foi assim...?
- Milo, você tem certeza que está bem? - Franziu a sobrancelha. - Kam e você se conhecem a anos. Mas é claro que sempre foi assim.

Milo passou o resto do dia confuso. Perdera a memória? Enlouquecera? Outras possibilidades passavam pela cabeça do escorpiano que estava mais distraído que nunca nos treinos, chamando a atenção de seus amigos. O mais enérgico de todos sempre era o cavaleiro de Escorpião, que levantava o ânimo do grupo e espantava as tristezas. Dessa vez, ele era o mais cabisbaixo de todos.
Após o término da sessão de treinamento, o grego foi para um lugar que adorava. Era uma cascata de água extremamente cristalina e pura. Ficou ouvindo o barulho da água e observando os peixes que nadavam movimentando a água. Ouviu vozes e passos, quase que instintivamente escondeu-se, já que aquela era uma área restrita. Para a surpresa de Milo, quem se aproximava da cascata era Kamus. Por um momento, pensou em se aproximar e falar com a garota, quando alguém apareceu em seguida. Era Shaka.

- Ficou irritada comigo?
- Por que eu ficaria? - Sentou-se na beira do lago que havia logo abaixo da cascata.
- Por nada... - Suspirou o cavaleiro de Virgem, juntando-se a ela. - Eu a machuquei no treino de hoje?
- Não.
- Mentirosa.
- Se eu estou dizendo que não, é porque é não. - Continuava impassível, porém era evidente que começara a se enervar. - Por que você acha que me machucou?
- Sinto cheiro de sangue. - Suspirou. - Eu posso estar com os olhos fechados, mas continuo ouvindo sons e sentido cheiros. Você não vai me enganar. - Sorriu levemente.
- Ah, certo. Você venceu. - Rolou os olhos. - Algum dia eu vou vencer uma discussão contra você?
- Temo que não. - Ao perceber que Kamus ia tornar a falar, se adiantou. - Onde você se machucou?
- Foi só um corte. Leve! - Acrescentou rapidamente.

Shaka virou o rosto para Kamus e tocou o rosto dela. Acariciando levemente as faces com uma ternura que não era comum nas ações do cavaleiro de Virgem, sempre tão impiedoso e orgulhoso. Não tardou aos lábios se unirem em um beijo suave, porém apaixonado. Foi a francesa quem rompeu aquele gesto de amor, já que o desejo por ar foi mais forte.
O loiro sorriu e abriu os olhos lentamente, assustando um pouco a ruiva.

- Shaka! Você não pode fazer isso! - Sussurrou. - Você precisa...
- Eu sei disso... Mas eu não consigo agüentar. Às vezes eu preciso olhar para você. Não é possível esquecer a sua beleza, só que eu gosto de conferir se memorizei todos os detalhes, olhando para você periodicamente. - E riu.
- Você não presta. - Balançou a cabeça em desaprovação. - Quem era o cavaleiro mais próximo de Deus?
- Não sei... O Afrodite? A casa de Peixes é a mais próxima da sala do Grande Mestre e, conseqüentemente, de Athena.

Beijaram-se novamente, dessa vez mais profundamente. Shaka enlaçou a cintura de Kamus que, por sua vez, mergulhou os dedos por entre os cabelos loiros do outro. Trocavam carícias apaixonadamente, até que pararam um pouco e sorriram. O loiro fez a ruiva deitar a cabeça em seu colo, enquanto lhe acariciava o braço. Porém, quando tocou-lhe o ombro, viu as sobrancelhas da aquariana se franzirem levemente.

- Foi aqui que eu a machuquei? - Perguntou.
- Nem se preocupe, não é nada... - Desviou o olhar.
- Não minta pra mim.
- Certo, foi aí sim. - Fez uma pausa. - Não está doendo. Depois eu faço um curativo.
- Eu vou conferir isso, viu? Você tende a ser meio desleixada quando se trata de seu próprio bem estar. - Respirou profundamente. - Kam, você se preocupa com seu discípulo que está finalizando o treinamento na Sibéria, se culpa pelo trágico fim daquele menino que também foi seu aprendiz... Entre outros.
- Não fale como se me conhecesse melhor que eu mesma me conheço. - Se levantou rapidamente, postando-se de pé ao lado de Shaka.
- Ah, céus. Não foi uma crítica. Foi um comentário. - Abraçou a garota. - Eu só falo isso porque gosto de você.
- Shaka, o Grande Mestre não o chamou para uma reunião?
- Eu sabia que estava esquecendo de algo. - Riu. - Bem, vou ir lá. A velocidade da luz vai ser útil... Depois podemos nos ver? - Recebeu um sorriso como resposta. - Vai ficar aqui, como sempre? Depois eu volto então.

Mal Shaka desapareceu por entre as árvores que cercavam aquela pequena clareira onde havia a cascata e Milo apareceu, bufando de tão irritado. Surpreendeu Kamus, segurando-a pelo braço. A expressão irritada do escorpiano até assustou a garota.

- Milo? - Exclamou a ruiva. - O que você--?
- O que você tem com o Shaka? - Berrou o outro. - O que vocês dois... são um do outro?!
- Excuse moi, minha vida pessoal não é da sua conta. - Ruborizou, ainda mantendo a impassibilidade de sempre.
- É claro que é, Kam...
- Ah, claro. - Bufou. - Em seu mundinho fantasioso!
- Não fale assim comigo.
- Esse é o único tratamento que vou dirigir a você. - E deu as costas para ir embora.

Porém, dar as costas para Milo foi um erro. O escorpiano a segurou e jogou no chão com raiva. Apesar dos protestos, a imobilizou e beijou, com agressividade. Os movimentos bruscos que o cavaleiro de Escorpião fazia para mantê-la parada apenas agravavam a dor que sentia no braço machucado. Num ato desesperado, mordeu o lábio do outro, que insistia em beijá-la.
Todavia, isso teve resultado inverso: o loiro passou a tentar lhe arrancar a roupa de treino, cobrindo com beijos a pele que era descoberta. Dessa vez, foi a vez de Milo errar. Segurou os dois braços de Kamus com uma só de suas mãos, a fim de utilizar a outra para explorar com maior facilidade o corpo da francesa. A ruiva livrou uma de seus braços e socou Milo, concentrando cosmo na mão e abaixando a temperatura ambiente aplicando um Pó de Diamante.

- Sorte sua que eu estou de bom humor. Caso contrário, eu iria usar o Esquife de Gelo em você. Da cintura para baixo. - E saiu correndo o mais rápido possível.


Quando Shaka chegou a casa de Virgem após sua reunião com o Grande Mestre, mal pode conter sua surpresa. Kamus estava parada lá. Apesar da ausência de expressão facial, lágrimas corriam de seus olhos e sua roupa estava amarrotada e rasgada. Quando o viu, a ruiva correu até ele e o abraçou com força. Nada para impedi-la fez o cavaleiro de Virgem, que esperou que ela parasse de chorar para levá-la para os aposentos internos da casa zodiacal.
A aquariana estava com os olhos vermelhos, as faces molhadas pelas lágrimas, a roupa destruída e, apesar da impassibilidade, aparentava estar muito triste. O loiro a fez sentar em sua cama, sentando-se em seguida e a puxando para que deitasse a cabeça em seu ombro. Sussurrando algumas palavras para a garota, aos poucos ela foi se acalmando.

- Você quer me dizer o que houve ou prefere não falar?
- Vou falar. - Disse, respirando fundo. - Mas antes disso, eu quero dizer que eu te amo, Shaka. Muito, muito, muito... Tanto que eu nem deveria me autodenominar racional, calculista e outras coisas que fazem parte de meus discursos contra os sentimentos, que atrapalham em batalhas. - Recomeçou a chorar, mas com menos intensidade. - Sei que não devia ficar tão triste pelo que aconteceu, já que não foi nada demais. Só que, ao contrário de quando eu estou com você, senti uma repugnância que me fez entrar em desespero, só queria sair dali.
- O que houve? - Insistiu o virginiano, realmente apreensivo.
- Milo... - E explicou o que houve para Shaka, que continuava calmo como sempre.
- Apesar de eu ter certeza que deve ter sido uma experiência desagradável e por isso as lágrimas, não foi sua culpa e eu não estou bravo com você. - Fez uma pausa, em seguida abrindo um sorriso maroto. - Acho que é melhor eu livrá-la da lembrança daquele artrópode imundo...

O loiro a beijou docemente. Aprofundando o beijo aos poucos e deslizando sua mão para a blusa da garota, que não tardou e já jazia abandonada no chão. Fazendo delicadas carícias com os lábios no pescoço da aquariana, a fez gemer baixinho. Incentivado por isso, continuou as carícias, não tardando a tocar os seios da ruiva, fazendo-a murmurar um não quase inaudível.
Seu próximo passo foi marcar praticamente todo o tórax de Kamus com seus lábios, arrancando uma vez ou outra gemidos. Em seguida, quase levou sua amada a loucura com carícias com mais volúpia do que as anteriores, em seguida já se uniam em um só. A aquariana logo adormeceu, aquele havia sido um dia tempestuoso, mas Shaka resolveu não deixar barato. Havia perdoado a ruiva que, na verdade, não possuía nenhuma culpa, porém não deixaria o cavaleiro de Escorpião se livrar dessa impune.


Milo viu que Shaka estava parado a frente de seu templo. Aproximou-se lentamente e resolveu perguntar algo.

- Quanto tempo você pretende ficar parado na frente da minha casa?

Porém, o cavaleiro de Virgem nada respondeu. Apenas sorriu e abriu os olhos, ato que destruiu metade da oitava casa zodiacal. O cavaleiro de escorpião acordou gritando. Às vezes amaldiçoava sua imaginação pelas coisas estranhas com as quais sonhava.


Fim.

Hainelol
Captain


Hainelol
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PostPosted: Wed Nov 21, 2007 2:08 pm


Título: Maresia
Estilo: Redação.
Gênero: Drama.
Tipo: Oneshot.
Censura: Livre.
Disclaimer: Original, presente para a Less. no Amigo Secreto de fanfics do Dreaming. x3


Maresia



Sabor de mar. Essas gotículas teimam em escapar de meus olhos, quando atingem a minha boca sinto o gosto do mar em que tantas vezes nadamos juntos. Cheiro de mar. A mente humana é algo assustador, só de lembrar de nós dois na praia senti aquele cheiro característico estranho, único. Som de mar. Aquelas ondas colidindo contra o rochedo ou tornando escura, de úmida, a areia branca da praia estão gravadas na minha memória.
Essas coisas tinham sentido até um tempo atrás. Eram como parte de um ritual sagrado. Eu e você sentados na areia conversando. Ou, às vezes, nadávamos despreocupadamente cortando as ondas. Era lindo, era maravilhoso, era incrível. Era e não é mais.
Sorrio para todos que vem perguntar se estou bem. "Sim, estou ótimo" - minha resposta, sempre. "Deve ser difícil para você. Quer conversar? Se precisar de algo, fale comigo" - tentam parecer prestativas, quando, na verdade, esperam algo de novo vindo de mim, para fofocarem durante os encontros de chá de terça-feira. "Obrigado, mas realmente está tudo bem" - eu deveria ganhar o Oscar de melhor ator, sabe?
Não estou bem. Não ficarei bem. Não pretendo ficar bem. Não quero ficar bem. Nunca irei ficar bem! É difícil de entender isso?
Quero ser infeliz, lamentar, odiar... "Tudo bem, eu sei... A culpa não é minha, nem de ninguém... Estou bem melhor agora" - eu sou o principal ator dessa peça shakesperiana. Onde Romeu e Julieta se separam no final. Apenas um deles morre e o outro é condenado a usar uma máscara e freqüentar bailes dia após dias, com a fantasia da alegria aparente.
Trancando minha anteface na gaveta, sinto as lágrimas voltarem a insistir. Deslizam pelo meu rosto e volto a lembrar do mar que você tanto gostava. Aquela água cristalina e calma de sempre, pela qual podíamos ver uma infinidade de peixes de tamanhos diferentes nadando.
Algo irônico. Não diz um ramo da ciência que a vida veio do mar, dos oceanos? No seu caso foi ao contrário. A chamada "água mãe" foi quem lhe tirou a vida. Irônico e triste. Aliás, a culpa é minha, não da água. Se eu tivesse optado por ficar ao seu lado aquele dia, você não teria morrido. A culpa é minha e eu gosto de lembrar disso. Sim, pretendo me torturar com isso. Não digo para sempre, nunca consegui cumprir promessas. Mas garanto que, toda vez que olhar para o mar, lembrarei de você.
Talvez eu seja masoquista. Porque a um ou dois dias atrás comprei uma casa de praia. Na praia onde nos conhecemos. Rio com a lembrança, porque não tenho mais forças para chorar ou alguma lágrima para dar. Nós dois éramos estranhos, desconhecidos... mas ficamos tão amigos! Existe destino? Não sei, todavia aquele nosso encontro me faz refletir sobre essa possibilidade.
Castelo de areia que o mar teimava em derrubar! Eu chorava porque meu castelo não ficava em pé, desmoronando toda vez que uma onda o invadia. E você me ajudou a fazer um fosso e um muro, para impedir a água de invadir aquele montinho de areia que chamávamos de palácio. Rimos, brincamos... Sinto saudades daquela época. Crianças despreocupadas que viviam sem pensar no amanhã.
A infância não dura para sempre. Nem a vida. Nem nada!
O mesmo mar que fez com que eu o conhecesse, também o levou de mim. Destino? Karma? Talvez. Só sei que tenho medo de esquecê-lo. Por isso, continuarei me torturando e sentindo meu coração doer toda vez que olhar para o mar. Esse belo e límpido mar... Aliás, seus olhos eram cor de mar...


Fim
PostPosted: Wed Nov 21, 2007 2:10 pm


Título: O Roubo do Cinturão de Hipólita.
Estilo: Redação.
Gênero: Geral (especialmente romance e mistério).
Tipo: Incompleta, capítulos.
Censura: 18+.
Disclaimer: Saint Seiya não me pertence. =D E sim, foi inspirado em Sherlock Holmes. Ajudas eventuais do Rikku e da Sara. Ah, e como nota-se: é universo alternativo.



"Minha vida é simples. Não luto pelos meus ideais - aliás, nem os tenho -, não vivo um amor proibido, não sou um famoso detetive ou um furtivo ladrão. Na verdade, sou apenas um jardineiro. Passo o dia todo cuidando dos deslumbrantes jardins da mansão Kido. É um trabalho cansativo? Bastante, mas é o que eu consegui. Fico feliz apenas por receber um prato de sopa morna todas as noite e, ainda assim, me sinto privilegiado. Sabe como é... a Inglaterra, principalmente em 1892, não costuma tratar bem os estrangeiros, imagina eu! Tenho uma aparência distinta e nem sei da onde vim.
Eu nunca esperei nada de fabuloso. Fico feliz apenas em, como já disse, regar as plantas, cortar a grama, capinar a terra, receber comida e, em seguida, dormir em meu colchão bastante desconfortável. Não tenho expectativas de futuro, nenhuma lembrança do passado, apenas fico feliz por viver o presente. Nunca esperei que pudesse ser envolvido em algo tão macabro. Logo eu! Um pobre jardineiro cujo único desejo é conseguir um pedaço de pão para acompanhar a sopa
".
PEGASUS, Seiya (1879-1930).


O Roubo do Cinturão de Hipólita
[Capítulo 1]



O vento uivava ferozmente, parecendo um animal ferindo urrando. As plantas que enfeitavam o belíssimo jardim da mansão eram obrigadas a se curvarem. Não tardou a uma espessa chuva martelar as janelas e telhas insistentemente. Cada vez ficava mais forte e, logo, trovões e raios cortavam o céu, em brilhos sinistros que desencorajariam qualquer indivíduo a sair na rua.
Um rapazinho corria apressado, carregando algumas ferramentas, para dentro da luxuosa casa. Adentrou pela porta da criadagem ofegando. Possuía feições raras, olhos castanhos e pequenos, que eram cobertos pela cortina de cabelos castanhos que, molhados, escorriam em uma cascata para seu rosto. Ajeitou-se apressado para guardar o equipamento de jardinagem e trocar a roupa, visto que em breve serviriam o jantar.
Os acontecimentos daquela noite foram estranhos. Seiya, esse era o nome do jardineiro, recebeu mais comida que de costume. Segundo a cozinheira, cujo nome era Marin, a patroa mal tocou na comida, alegando estar enjoada, apesar de, evidentemente, o enjôo ser o pior de seus problemas, visto que olhava desesperada para os lados e parecia que seus olhos pulariam para fora das órbitas. Após um longo discurso sobre as doenças físicas e mentais que a falta de alimentos estava causando a sua empregadora, distribuiu a comida que sobrara para os criados. Estes, felizes, se empolgaram e beberam até um pouco de cerveja, contrabandeada pelo mordomo. Logo, todos adormeceram amontoados nos quartos da criadagem. Cansados, bêbados e com o corpo bem aquecido devido a boa comida, dormiram ao ponto de mal se mexerem.
Seiya só acordou quando o grito da empregada italiana ecoou pela casa, seguido de uma língua mista:

- Soccorso! A signorina! Ela...! Soccorso, socorro! Per favore!

O primeiro a atender o chamado foi o chefe da criadagem, um rapaz, que veio de um país tão longínquo quanto o de Seiya, chamado apenas de Mu. Em seguida ele desceu, mais pálido que o ocasional, visto que sua pele parecia ser da mais pura porcelana. Murmurou algumas palavras quase incompreensíveis, quase grunhidos, e se saiu correndo da casa. O mordomo, de origem espanhola, decidiu ver o que assustara a empregada e ver como estavam os hóspedes.
Não tardou muito até Mu voltar com um médico e dois policiais. Balbuciou algo sobre a patroa e subiu as escadas seguido pelos homens. Os empregados continuaram reunidos aguardando respostas. Foram momentos cheios de tensão. Vozes, passos, gritos, um estrondo, móveis sendo arrastados, conversas abafadas e por fim um pranto de partir o coração.
O diagnóstico fora triste: a senhorita Saori, a dona da mansão e grande colecionadora de jóias, fora encontrada morta e sua peça mais estimada, o Cinturão de Hipólita, fora roubada. O curioso é que o quarto da moça tinha janelas gradeadas impossíveis de serem abertas pelo lado de fora, além de a porta ter sido fechada por dentro. O estrondo era o resultado dos policias se jogando contra a porta de madeira que, depois de algumas tentavas, cedeu ao peso. A jovem, que não tinha mais que quatorze ou quinze anos, estava sentada em uma poltrona como se estivesse adormecida, tendo em mãos um livro de poemas.
Um detetive chamado Milo Skorpion logo chegou a casa para investigar o misterioso assassinato. Ele estava acompanhado de um assistente muito belo e gracioso, conhecido como Afrodite Vissen. Adentraram na casa e observaram o quarto da moça com atenção. Realmente, não havia como um criminoso ter entrado ali dentro. Mesmo que a jovem tivesse sido envenenada antes, como supôs Afrodite após ouvir relatos de que a jovem apresentara um comportamento estranho e falta de apetite durante o jantar, como o cinturão teria sido roubado? Antes de a rapariga voltar a seu quarto não havia a possibilidade, já que a empregada italiana, chamada Shina, a acompanhara até o quarto e viu o cinturão, majestoso como sempre, em seu pedestal.

- Alguém deve ter entrado e a envenenado, fugindo em seguida. - Comentou Milo, em tom pomposo e confiante.
- Sei... E a senhorita Saori, mesmo morta, gentilmente levantou-se e trancou a porta por dentro? Mon dieu! - Exclamou uma voz suave e carregada de sotaque francês vinda da porta.
- E os senhores, quem seriam?
- Detetive Milo, nós estávamos hospedados na casa da senhorita Saori, visto que temos um grau de parentesco e amizade. Já que, segundo a senhorita Shina, a empregada que desmaiou aqui, o senhor está recolhendo informações, viemos tentar ajudar com o que podemos. Meu quarto fica ao lado dela e o de meu amigo a frente.
- Não ouvi seu nome. - O detetive torceu o nariz e ajeitou os cabelos cacheados e dourados que combinavam perfeitamente com suas feições dignas de um deus grego.
- Mas é claro que não ouviu... Eu ainda não o disse. - Sorriu. Ao ver que o outro se irritara, pôs um fim ao tom de brincadeira. - Meu nome é Shaka Rutherford, não estou acostumado a me apresentar, visto que sou bastante conhecido. Talvez tenha ouvido falar de mim, vivi muito tempo na Índia e, agora que voltei a Londres, dedico meu tempo livre a composições que tem agradado a crítica. Muito prazer. - Abriu os olhos que, eram de um azul vivo e único, contrastavam lindamente com o cabelo loiro que descia liso e impecável pelos ombros do rapaz.
- Nunca ouvi falar.
- Miluxo, talvez você devesse prestar atenção nas notícias! - Desaprovou Afrodite, enquanto ajeitava os cabelos claros de modo ansioso. - Ele é muito famoso, volta e meia os jornais escrevem uma nota a seu respeito, seja mencionando seu trabalho na Índia, suas melodias únicas de piano ou apenas comentando como um homem assim está solteiro! - E riu, acompanhado por Shaka.
- Bem... - Milo interrompeu, irritado. - E o senhor quem seria?
- Meu nome é Kamus d'Verseau. - Permaneceu impassível, não sorriu. - Vim dar uma palestra na universidade daqui, a senhorita Saori, a quem conheço a certo tempo por ela ser uma apreciadora de meu trabalho, fez a gentileza de deixar que eu ficasse em sua casa durante minha estadia aqui. Fico feliz em conhecê-lo, detetive Milo, senhor Afrodite. - Acenou a cabeça em cumprimento, balançando graciosamente os longos cabelos ruivos.
- Agradeço que os senhores tenham vindo cooperar com as investigações. - Disse o detetive, puxando de dentro do bolso do casaco uma caderneta onde se pôs a escrever. - Gostaria que os senhores me relatassem se ouviram algum som estranho, passos ou coisas assim.
- A chuva ontem estava terrível, senhor Milo, como pode imaginar. Isso, creio eu, abafou os sons, se houve algum som. De peculiar, posso afirmar que a senhorita Saori estava muito silenciosa. Ela costuma ler livros em voz alta e andar de um lado para o outro vasculhando os itens mais queridos de sua coleção, todavia não ouvi nenhum dos costumeiros sons. - Disse Kamus, fitando Milo nos olhos, completamente sério. - Achei que ela tinha ido dormir mais cedo, levando em consideração que estava bem indisposta durante o jantar. Bem, o Shaka que me corrija, já que o quarto dela é ao lado do dele.
- De modo algum, Kamus. Foi como você disse: nenhum dos sons de sempre foram emitidos. Assim como meu amigo, estranhei esse comportamento da senhorita Saori. Agiu de forma estranha. Ah! Acabo de me lembrar que, quando eu estava ensaiando uma peça em meu piano, ela adentrou em seu quarto e ficou lá por um bom tempo. Logo fomos todos jantar, inclusive ela, mas, em seguida, alegou estar passando mal e subiu apressada. - Shaka franziu o cenho, parecendo tentar se lembrar de mais alguma coisa que pudesse adiantar. Milo e Afrodite tentavam formular uma teoria a partir das informações.

Os dois rapazes se retiraram, enquanto os detetives continuavam observando o ambiente. Após revirarem todo o cômodo, interrogaram todos os criados e fizeram perguntas sobre uns para os outros, em busca de achar furos nos álibis. Milo tomou nota de todos os criados e freqüentadores da casa:

"Criados que dormem dentro da mansão:
Seiya Pegasus, o jardineiro: origem desconhecida. Era muito grato a família Kido. Segundo os outros criados e ele mesmo, esteve dormindo durante toda a noite.
Marin Adler, a cozinheira: origem desconhecida. Segundo os outros criados, esteve dormindo todo o tempo e em nenhum momento do dia subiu a escada que leva aos quartos.
Shina Biscia, a empregada: italiana. Notou algo estranho em sua patroa, ao olhar pelo buraco da fechadura. Viu a moça imóvel e estendida sobre a poltrona, se preocupou e pediu ajuda.
Mu, o chefe da criadagem: tibetano (???). Foi o primeiro a verificar que a senhorita Saori estava morta.
Shura Capricorne, o mordomo: espanhol. Foi o segundo a entrar no quarto onde a patroa jazia morta.

Criados que dormem nos aposentos externos:
Jabu Einhorn, estribeiro: origem desconhecida. Sempre pareceu se dar muito bem com a senhorita Saori, e ela, em retorno, lhe dirigia um tratamento especial.
Aldebaran, segurança: brasileiro. Segundo ele, ninguém entrou ou saiu da mansão. Esteve patrulhando o tempo todo e, segundo os empregados, não entrou em nenhum momento na mansão.

Hóspedes:
Shaka Rutherford: indiano, mas com todo seu sangue inglês. Quarto ao lado do que pertence a senhorita Saori. Passa todo seu tempo tocando piano ou lendo em seu quarto. Muito amigo de Kamus.
Kamus d'Verseau: francês. Quarto a frente do que pertence a senhorita Saori. Passa todo seu tempo escrevendo em seu quarto ou fazendo companhia a Shaka durante suas práticas de piano.

Visitantes freqüentes:
Julian Solo: noivo da senhorita Saori. Envia sempre vultosas somas em dinheiro ou presentes de extremo bom gosto a sua noiva. Atualmente está fora do país acertando negócios.
Sorento Weise: subordinado de Julian. É quem traz os presentes para Saori, já que seu patrão diz não confiar no correio. Reside na mansão de Julian, que fica a menos de dois quilômetros da propriedade Kido.
Hilda Polaris: amiga íntima de Saori. “Mora em um país distante e vem visitar a amiga sempre que pode, trazendo vários presentes consigo.


- Talvez possamos ignorar Hilda, já que faz tempo que ela não visita sua amiga ou manda correspondências. - Disse Afrodite.
- De fato. Mas, por enquanto, vamos mantê-la na lista de freqüentadores da casa. - Respondeu Milo, suspirando. - Vamos voltar ao local do crime? Quero dar mais uma olhada lá, enquanto isso você pergunta para o mordomo quais foram as últimas correspondências e encomendas que a vítima recebeu.
- Chame-a de senhorita Saori, Milo. Se os empregados o ouvirem falando dessa forma desrespeitosa, tenho certeza que seremos colocados a pontapés para fora daqui. - Sorriu divinamente. - Bem, farei o que você disse. Logo o encontrarei.

O detetive subiu a escada, atento a todos os detalhes do corredor, procurando algo estranho ou incomum. Após até mesmo cutucar as paredes e olhar debaixo do tapete, adentrou no aposento da dona da mansão, observando melhor os móveis e objetos que havia lá dentro.
Era um aposento bonito. A poltrona era posicionada ao lado de uma estante repleta de livros - grande parte deles sobre geologia, devido ao interesse da moça por jóias e pedras preciosas - e de um pedestal com uma almofada púrpura onde ficava a jóia que fora roubada. Havia um grande armário muito bonito de carvalho, feito de forma extremamente artesanal. A cama, cuja madeira também era carvalho, possuía um colchão alto e várias cobertas e almofadas, como o quarto não havia sido arrumado e a cama estava bem arrumada, isso indicava que a vítima não havia deitado - fato observado, e devidamente registrado em um bloco de notas, por Milo. Uma grande cômoda repleta de perfumes, acessórios, escovas e outras coisas típicas das senhoritas pertencentes a alta sociedade inglesa. Havia uma caixa semi-aberta em cima da cômoda também.
O detetive pegou um pequeno cartão que estava sobre a tampa da caixa e o leu. "Para minha adorada Saori, de seu Julian" estava escrito em dourado. Anotou que a vítima havia recebido um presente. Ao abrir melhor a caixa, viu vários chocolates. A caixa estava toda escrita em francês, portanto Milo não conseguiu compreender tudo que estava inscrito ali. Apenas entendeu que eram bombons recheados de trufas e importados da Suíça, o que fazia sentido, pois era nesse país que Julian acertava negócios.
Leves batidas no marco da porta interromperam os pensamentos do loiro que se virou para ver quem entrava, encontrando Afrodite. Seu ajudante o informou que, de fato, a única correspondência ou encomenda que Saori recebera fora a caixa de chocolates que a menina apaixonada mal deixou seus criados tocarem e levou para seu quarto, saltitante. Segundo Shura, o mordomo que recebeu a caixa, era estranho que aquilo tivesse sido enviado pelo correio e não levado pelo empregado de confiança de Julian, um músico chamado Sorento.

- Há a possibilidade de não ter sido enviado pelo Julian, e sim por alguém querendo incriminá-lo.
- Posso ver a caixa, também? - Disse Afrodite, observando com atenção as palavras grafadas. Em seguida, ele explodiu em uma gargalhada divertida, que até assustou seu parceiro.
- O que foi? Enlouqueceu, finalmente?!
- Não, Milo... Não. - Mal conseguia conter suas risadas. - Bem, é que nessa casa ninguém, exceto o Kamus e o Shaka, fala francês.
- E daí...?
- Como a senhorita Saori, que também não falava, não deixou ninguém ver a caixa, é natural que ninguém notasse isso...
- Isso o quê? Dá para ser claro?
- Milo... Aqui está escrito, traduzindo a la galega, "bombons de trufas prateadas albinas dos Alpes".
- E...?
- Como assim "E"? É ridículo, Milo! - Esganiçou a voz. - Até existem trufas brancas, mas não existem trufas prateadas. E mais: são comuns na Itália e no Egito... Mas não nos Alpes. Diga-se de passagem, que trufas brancas são provenientes da cidade de Alba, na Itália.
- E a caixa veio da Suíça!
- Bem, isso não é estranho. - Decepcionou-se com a falta de atenção do detetive. - Na Suíça tem chocolates de qualidade, não me estranharia se eles tivessem com trufas brancas. Mas isso é falso, foi forjado por alguém. Sorte sua que eu sei francês. - Empinou o nariz. - Caso contrário estaria perdido.
- Cedo ou tarde eu perceberia isso, Afrodite. - Disse Milo, entre os dentes.
- Certo, como quiser... Pode ser que esses doces estejam envenenados, vamos levá-los. Também há a chance de encontrarmos digitais. Além disso... Precisamos descobrir como o criminoso entrou. Como é possível observar, as janelas são gradeadas e ficam no segundo andar! É praticamente impossível de alguém entrar aqui por ela. - Afrodite havia se animado com a descoberta e tentava procurar uma brecha naquilo tudo. Afinal: uma jóia rara e feita de ouro maciço e cravejada de pedras preciosas como aquela não sumia da noite para o dia sem explicação alguma!

Mais uma vez, o quarto foi observado e remexido, sem sucesso. Os dois investigadores chegavam a desanimar, quando Afrodite, por acaso, olhou para o teto.

- Milo...
- O que foi?
- É como se tivesse um alçapão no teto.
- Sério? - O outro se aproximou rapidamente e observou também. - Claro...! Vamos subir ali e dar uma olhada.

Subindo com o auxílio de uma cadeira, Milo passou pelo alçapão. Em seguida, seu parceiro subiu também, carregando um lampião que iluminou tudo a volta deles. Era um aposento baixo, impossível para qualquer um deles ficar de pé, e se estendia por quase todo o segundo andar da mansão. Havia alçapões que levavam para cinco outros quartos, além do quarto onde ocorreu o crime. Levando em consideração a localização dos aposentos do segundo andar passada pelos criados, existiam saídas para os seguintes cômodos: quarto de Kamus, quarto de Shaka, sala de música, biblioteca e sala de jogos.
Afrodite disse que seria perda de tempo investigar os quartos já que, mesmo que um dos hóspedes fosse o culpado, seria burrice esconder a jóia roubada em seu próprio aposento. Decidiram começar a investigação pela sala de jogos.

Capítulo 1 – Fim. Continua.


Notas:
1- Eu não falo italiano, as falas da Shina podem estar erradas;
2- Os sobrenomes das personagens (com poucas exceções) são palavras aleatórias em outras línguas;
3- Sei lá, as informações sobre as trufas podem estar erradas, já que nem pesquisei muito;
4- Apesar de revisada, a fic pode conter erros, já que não foi betada.

Hainelol
Captain


Hainelol
Captain

PostPosted: Wed Nov 21, 2007 2:17 pm


Título: Eram Duas ou Três Vezes.
Estilo: Redação.
Gênero: Romance, comédia.
Tipo: Incompleta, capítulos.
Censura: Livre.
Disclaimer: Inspirada em vários contos de fada. :3


Eram Duas ou Três Vezes
[ Capítulo 1 - A Princesa e o Entediado ]



Céu cinzento, frio e tempo úmido. Características marcantes do clima das férias de inverno, onde o tédio faz sua entrada triunfal em marcha fúnebre. Daniel se encolhia dentro do casaco de lã, bocejando enquanto via mais algum programa idiota para pessoas idiotas com o passatempo idiota de ver uma televisão idiota. O mundo é idiota. Pelo menos, na perspectiva do garoto que olhava desinteressado para as expressões faciais forçadas daqueles atores que interpretavam, bem mal, suas personagens.
Um barulho em seu quarto, que ficava no final do corredor, chamou a atenção dele. Um vulto se movimentou lá. Suspirou. Desde pequeno vira e ouvira coisas estranhas, porém sempre as ignorou. Era aquela teoria infantil, "se eu não o vejo, você não me vê", adaptada para "se eu finjo que não o vejo, você não existe". O problema era que os barulhos e a movimentação estavam difíceis de ignorar. Irritado, levantou-se e andou até o quarto, onde viu uma cena bizarra.
Uma garota, mais ou menos da mesma idade que Daniel, de cabelos castanho claro arrumados em um elegante penteado com uma tiara brilhante, trajando um vestido bufante de tons arroxeados, estava em pé sobre a escrivaninha. Com as mãos cobertas com luvas de seda, tocava o mural de desenhos com curiosidade, parecendo intrigada. Ao notar que era observada, virou-se e mirou o garoto, atônito, que estava parado a frente da porta.

- Quem é você...? - Ele conseguiu murmurar, com alguma dificuldade.
- Você pode me ver? - Sorriu a garota, aparentando estar muito feliz.
- Se estou falando com você, é óbvio que posso vê-la. - Respondeu, ainda assustado.

Um berro ecoou pelo pequeno cômodo e a estranha garota saltou de cima da mesa, abraçando Daniel e rodopiando com ele pelo quarto. Ria descontroladamente, enquanto o garoto nada entendia e estava desconfortável com a situação. Com algum esforço, afastou-a de si e a fitou.

- O carnaval já não passou...? - Olhou aquele estranho vestido. - Quem é você?
- Que desrespeitoso! - Bufou. - Meu nome é Agnieszka. Sou a princesa do reino de Aurissiodorenses. Dou-lhe a honra de beijar minha mão.
- Dispenso. Não sei onde você enfiou essa luva antes.
- E quem é você, plebeu? - Resolveu ignorar.
- Daniel. O plebeu que vai pedir para vossa alteza sair da casa dele e voltar para o manicômio.
- Mas que rude!
- Agora, quer fazer o favor de cair fora? - Rolou os olhos. - Invadir a casa dos outros assim é ridículo.
- Eu não invadi sua casa por querer! - Guinchou. - Fui jogada aqui por uma passagem dimensional e...
- Espera que eu acredite nessas abobrinhas? - Franziu a sobrancelha.
- Espere... Por favor, me ouça. - Apertou as mãos, nervosa. - Por favor...
- Tá, tá... Já saquei. Levou um fora do namorado, brigou com a melhor amiga ou um chiclete grudou em seu cabelo? - Suspirou. - Espero que não seja uma bobagem desse tipo.
- Não é! - Fez uma pausa. - Bem... Eu vivia feliz em meu reino encantado. Cheio de flores coloridas, animais fantásticos, arco íris...
- E pôneis coloridos com poderes mágicos?
- Não! Deixe-me contar a história! - Sacudiu a cabeça, irritada. - O príncipe do reino vizinho pediu minha mão em casamento...
- Nossa! Só a mão? E o resto do corpo? – Debochou.
- Silêncio! - Exclamou. - Porém, isso despertou o ódio da bruxa que vivia por alí perto. Ela tinha planos de casar sua filha com o príncipe e ficou com ódio de mim. Então, ela jogou um encanto terrível em mim! Fiquei invisível! - E começou a passar insistentemente o lenço sobre seus olhos, dos quais brotavam lágrimas. - Ninguém podia ver-me ou ouvir-me! Todavia, fui procurar a ajuda de uma fada muito gentil que vivia em um bosque. Ela tentou desfazer um feitiço, só que foi impossível.
- Nossa, que tocante...
- Guarde seu sarcasmo para você. Então ela descobriu que havia uma condição imposta para o feitiço se quebrar. Tentando fazer algo para cumprir a condição, a fada fez com que eu viajasse no tempo e espaço, até chegar aqui. - Fez uma pausa. - Dizia a condição da bruxa que o feitiço se quebraria quando eu encontrasse alguém que pudesse me ver... E você consegue me ver!
- E também dizia que a Disney vai processar você por plágio e que eu estou com fome, com sua licença.
- Você não acredita em mim?! - Exclamou. - Estou aqui implorando por sua ajuda e você não faz nada? O que eu preciso fazer para que você acredite em mim?
- Nada. - Fez uma pausa. - Porque eu não vou acreditar em você. Essa foi uma história bizarra demais. E outra coisa... Mesmo que você esteja dizendo a verdade, contar com a ajuda de outros é querer demais. Se a sua história é verdadeira ou não, não faz diferença para mim. Estou vendo você, mas não quero me envolver nessa palhaçada. Agora, faça a bondade de ir embora.
- Não posso. - Exclamou. - Não sei aonde ir!
- Isso é problema seu.
- Não tem pena de mim? Sou de séculos atrás, estou perdida em seu mundo e invisível.
- Ter pena até tenho, mas tenho mais pena da minha sanidade mental ao ter que cuidar de uma princesa invisível.
- Por favor... Só por uma semana! - Choramingou. - Nesse meio tempo vou procurar alguém que me veja, se eu achar em sete dias, vou embora. E se eu não achar, vou embora assim mesmo!

Daniel cruzou os braços e fitou a parede. Não ia chegar a lugar algum discutindo com a princesa, ou seja lá o que a garota fosse. O jeito era concordar. Afinal, durante essa semana estaria de férias e não teria que ir pra escola, deixando aquela maluca à solta.

- Tudo bem. Uma semana! - Bufou. - Você precisa comer? - Ergueu a sobrancelha, dirigindo-se para a cozinha.
- Sim, eu apenas estou invisível. - Agnieszka respondeu, bem mais animada. - Tenho todas as necessidades de uma pessoa normal... Aliás, eu vou querer tomar banho depois.
- Ah, não. - Rolou os olhos. - Já começou com as exigências?
- Mas é claro, uma princesa não pode andar imunda por aí!
- Na Idade Média vocês nem tomavam banho que eu sei... E você está invisível!
- Se uma pessoa apenas já está me vendo, já é motivo para que eu ande arrumada... e limpa!
- Ótimo. Trouxe uma roupa para colocar depois?
- Esse era um detalhe que eu queria discutir... - Sorriu, encabulada.
- Que mico você vai me fazer passar, heim? - Abriu o armário. - Vou parecer algum tipo de maníaco pervertido comprando calcinhas pra você.
- Mico?
- Esquece.
- Certo... Você vai cozinhar? Não tem criados para isso?
- Desde que o mundo é mundo só os ricos têm criados, Ag. - Derramou água dentro de uma panela, colocando-a sobre uma das bocas do fogão. - No caso, eu não sou rico e não tenho criados. Bem... Tem uma faxineira que minha mãe contratou, mas ela só vem limpar a casa uma vez por semana.
- Não me chame de Ag! - Gritou, irritada. - Eu sou uma princesa, ninguém deu a você essa intimidade! Se estivéssemos em meu reino, sua cabeça rolaria na guilhotina.
- Vou chamá-la de Ag. Ou será que você prefere Aggy? Não estou a fim de ficar decorando nomes imensos e pomposos. Se está insatisfeita, a porta é serventia da casa.
- Chato. - Sentou-se em uma cadeira e começou a olhar em volta. Aqueles objetos eram estranhos para si. - O que é essa caixa?
- Microondas. Aquece os alimentos. - Abriu um pacote de macarrão instantâneo e despejou o conteúdo dentro da panela.
- E esse armário?
- Geladeira. Conserva os alimentos.
- Você não tem candelabros?
- Não. A iluminação, atualmente, é elétrica. Usamos lâmpadas. - E apontou o teto.
- Vocês vivem de um jeito bem diferente. - Mirou Daniel, de cima a baixo. - E usam roupas estranhas.
- É o que eu penso quando leio livros sobre os costumes medievais. - Riu, servindo o macarrão em dois pratos. - Eu sei que você iria preferir faisão, mas só tem miojo. Coma. - Colocou os pratos sobre a mesa e dirigiu-se a geladeira.
- Massa?
- É, massa, macarrão, miojo... Dá na mesma. - Pegou uma garrafa de refrigerante e serviu o líquido nos copos.
- Ah, sim... Novos nomes para as comidas. - Mexeu a comida com o garfo e fez uma expressão de desgosto. - Parecem minhocas.
- Sem frescura, alteza. - Rolou os olhos. - Coma. Acredite, isso não faz ninguém morrer. Caso contrário, mais da metade da população de jovens estava morta.
- Certo... E que líquido é esse? Está borbulhando.
- Refrigerante. Pode tomar, eu não estou pensando em matar você. Se bem que se eu quisesse fazê-lo, não teria problemas em esconder o corpo. - E riu, sendo acompanhado pela garota.

Vergonha. Essa palavra descrevia exatamente o que Daniel estava sentido naquele momento. Estava na sessão de lingerie feminina, recebendo olhares indiscretos de outros clientes da loja e escolhendo calcinhas para a princesa, que desgostava de vários tecidos, cores e estampas. Pegou algumas e escolheu, em seguida, os sutiãs. Gastou parte de sua mesada, pagando aquelas mercadorias.

- Humn... É para sua irmã ou namorada? - Perguntou a vendedora, com um olhar desconfiado.
- Não, é para mim mesmo. Tenho o hábito de colocar calcinhas na cabeça e sair por aí pulando. - Disse, com naturalidade, em seguida explodindo. - Escuta, pagam você para o quê? Fechar a boca e vender ou ficar perguntando coisas pessoais para os clientes? Passa a nota para cá e dê graças a deus por eu não ter mandado chamar o gerente.

Quando saiu caminhando pela rua, irritado, percebeu uma coisa. Agnieszka era invisível. Ela podia ter roubado as calcinhas sem ninguém ver, nem mesmo as câmeras de segurança da loja. Teve vontade de gritar de raiva, mas, por mais insanas que sejam as pessoas, na rua o bom comportamento é essencial. Chegou em casa desejando que tudo aquilo tivesse sido um sonho, porém, ao mesmo tempo, querendo encontrar a garota, para que o rótulo de maníaco sexual que as vendedoras da loja tivessem colocado em sua testa não tivesse sido por nada.

- Aggy, cheguei. - E riu de si mesmo, com o pensamento que parecia um marido de seriados americanos chegando em casa e berrando pela esposa, que estaria metida em alguma confusão com as vizinhas.
- Comprou? - Sorriu ela, adentrando na sala de estar.
- Sim... Vai tomar seu banho agora?
- Bem... Eu estava no banheiro agora a pouco. - Começou ela, envergonhada. - E não entendi aonde que é o lugar de tomar banho.
- Ah, céus. Nem isso?
- No meu reino, eu tomava banho em uma bacia num cômodo ao lado do meu quarto. As servas que me banhavam. - Torceu o nariz. - Eu lá vou entender esses equipamentos estranhos que vocês usam?
- Certo, certo... Vamos lá que eu mostro o chuveiro para você. - E dirigiu-se ao banheiro.
- Chuveiro?
- É esse... er... troço, ali. Você para debaixo dele, sem roupa, e gira aquela coisinha ali. Sai água. - Fez uma pausa, pensando se havia algo para acrescentar. - O sabonete está ali, na prateleira. O xampu e o condicionador estão nos frascos logo acima. Se não sabe o que são, são produtos para se lavar o cabelo. - Daniel, nesse momento, notou que a imagem da princesa que estava atrás dele não era refletida no espelho pendurado na parede. Evitando fazer qualquer comentário, saiu do banheiro. - Bem... As toalhas estão penduradas atrás da porta. Vou procurar algo para você vestir. Quando acabar, me chame.
- Certo... - Respondeu a garota, franzindo a sobrancelha e fechando a porta.

O garoto procurou no armário por roupas que nunca tivesse usado. Achou uma calça jeans e um moletom que havia ganhado de aniversário, mas, como não gostou das cores, nunca havia nem desembrulhado. Não tardou nem um minuto e Daniel ouviu a princesa gritando por ele.

- O que você que? - Perguntou, parando junto a porta do banheiro.
- A água está muito fria!
- Sabe aquela, ahn, rosquinha que tem na parede? Gire-a.
- Ficou mais frio ainda!
- Pro outro lado, sua anta!
- Agora está muito quente!
- Pega uma toalha.
- Por quê?
- Eu vou entrar.
- Ah, não vai não!
- Vou sim. - Fez uma pausa. - Ajusto a temperatura, largo as roupas que peguei, saio e você continua seu banho, tá? Ótimo, estou entrando.
- Seu tarado! - Berrou, quando o garoto adentrou no banheiro.
- Sem escândalo, por favor. - Fechou a porta atrás de si. - Você não tem nada que eu nunca tenha visto. Já se cobriu? - Ao ouvir uma resposta afirmativa, abriu a porta do boxe. - É só rosquear assim, fazendo um meio termo, sacou? - Mexia no regulador de temperatura.
- Hamn. Saquei.
- Ótimo. Lavar o cabelo você sabe, né? - Apontou os frascos. - Shampoo e condicionador. Primeiro o shampoo, enxágua, condicionador, enxágua e saia do banho. As roupas estão penduradas ali. - Bufou. - Tá, não me olha como se eu fosse um maníaco. Já estou saindo.
- Ahn... Obrigada, eu acho.
- Foi nada. - E fechou a porta.


Capítulo 1 - Fim. Continua...


Quanto aos nomes...
Agnieszka (pronúncia: Agnieshka) é o nome de uma moça da Polônia que eu conheci por aí. =D Ela é muito cool, então resolvi homenageá-la (...?). =x
E Daniel... NÃO FOI POR CAUSA DO DANIEL RADCLIFFE! >XD Foi por causa de Daniel Vosovic, o estilista. u_u
PostPosted: Thu Nov 22, 2007 6:38 pm


O Roubo do Cinturão de Hipólita
[ Capítulo 2 ]



Acompanhados pelo mordomo, Milo e Afrodite adentraram na sala de jogos. Era um cômodo espaçoso, apesar de ser escuro. As janelas enormes, que se estendiam, praticamente, do teto ao chão, estavam cobertas por uma cortina escura e espessa, que não deixava a luz solar penetrar no aposento. Além de possuir uma mesa própria para jogos de carta e estantes com suportes para se guardar os mais diversos acessórios esportivos, guardava, também, objetos estranhos que pareciam estar ali por falta de espaço.
Ao notar os detetives franzindo as testas ao observarem termômetros, relógios de diferentes modelos, bibelôs de porcelana, uma cristaleira e tapeçarias gigantescas pregadas as paredes, Shura resolveu explicar:

- Originalmente, esse era um cômodo em desuso, onde o avô da senhorita Saori guardava presentes e objetos exóticos que comprava. - Sorriu, parecendo recordar de memórias agradáveis. - Para não estragar algumas coisas aqui que são sensíveis a luz, tomamos o cuidado de lacrar as janelas com madeira e cobri-las com essas cortinas. Apesar de deixar o ambiente melancólico, é necessário. Ah, a senhorita Saori, após comprar essa mesa de cartas, batizou essa sala de "sala de jogos", se bem que combina mais com o nome "quartinho da bagunça". - E riu.
- Senhor Shura... Esse aposento costuma ficar trancado? - Perguntou Milo.
- Sim, sempre. Só entram aqui, uma vez por semana, a Shina e o Mu. Após limparem e arrumarem esse quarto, sempre trancam a porta.
- Os hóspedes costumam entrar aqui?
- Não, nunca. Aliás, só uma vez entraram. Estavam junto comigo e Mu, que mostrávamos a casa a eles.
- Eles mexeram em algo?
- Não, mas acharam linda a coleção de relógios e ficaram impressionados com o tamanho de alguns termômetros. Ah! Lembro que Kamus pediu para dar corda naquele relógio ao lado da cristaleira, já que ele é um relógio cuco com algumas características peculiares. - Parecia orgulhoso. - Acho que o Mu mostrou as peças de xadrez em marfim para os dois, que as elogiaram... Senhor Milo, por acaso desconfia dos dois?
- Bem, apesar de você ser um mordomo, possuir todas as chaves da casa, ter sido um dos primeiros a ver o corpo e isso tudo ser suspeito, senhor Shura. - Ouviu o espanhol engolir em seco. - Eu tenho mais desconfiança nos dois hóspedes, sim. Já que os criados parecem felizes com seus empregos e podiam ter roubado outras coisas, como as presentes nessa sala, sem chamar suspeita imediata ou precisar matar alguém. - Sorriu triunfante.
- Tem lógica, Milo. - Disse Afrodite, assentindo com a cabeça. - Mas dê uma olhada nesse termômetro.

Era um termômetro que Milo descreveu, mentalmente, como "gigante". Possuía quase um metro e meio, era muito bonito e tinha a madeira, na qual a estrutura de vidro era fixa, decorada e esculpida de forma totalmente artesanal. Os números estavam grafados em tonalidades que se intercalavam. Nada disso parecia suspeito. Se não fosse por dois fatos: não estava preenchido com mercúrio e a parte superior do tubo de vidro estava quebrada.

- Pode ter sido intoxicação por mercúrio! - Exclamou Milo.
- Sim! Para termos certeza, vamos levar a caixa de chocolates para uma investigação.
- Seria bom que um de nós ficasse aqui durante a noite, atento a comportamentos estranhos. - Pensou um pouco. - Afrodite, você vai para ver o que conseguem analisar a partir dos bombons e desse termômetro e eu fico aqui. Senhor Shura, precisa assegurar que ninguém saiba que eu estou aqui.
- Bem, farei o possível. - Respondeu Shura, surpreso. - Mas gostaria de saber onde o senhor pretende ficar, já que não quer que ninguém saiba disso.
- Deixe comigo. E não se preocupe com nada, estarei dentro da casa e em momento algum deixe alguém saber disso, de acordo? - Ao ver o outro assentir com a cabeça, continuou. - Quero que afaste todos os empregados do segundo andar e dê um jeito de distrair os hospedes, para eu fazer as preparações necessárias. Já, Afrodite, se quiser pode ir para a central com as provas.

Deixado sozinho na sala de jogos, Milo pôde ouvir Shura reunindo os empregados e dando tarefas a cada um, demoradas o suficiente para que não voltassem ao segundo andar por bastante tempo. Logo, ouviu, também, uma conversa baixa e passos apressados no corredor. Provavelmente, eram Kamus e Shaka sendo levados pelo mordomo a algum lugar.
Procurou pelo aposento os objetos que pensou em usar. Encontrando-os, subiu em cima da mesa de cartas e passou pelo alçapão que levava a aquele estranho sótão de antes. Iluminando-o com um lampião, utilizou as ferramentas que pegara para fazer buracos, nos alçapões, grandes o suficiente nos para poder enxergar os cômodos. Decidiu observar comportamentos suspeitos, movimento de objetos que pudessem esconder o cinturão e conversas estranhas. Não entendia muito bem a razão, mas os dois hóspedes não lhe transmitiam confiança.
Terminados os preparativos, deu mais uma olhada no lugar onde se encontrava e confirmou suas suspeitas de que o cinturão ainda estava na mansão. Excluindo os alçapões para os cômodos, não havia nenhuma saída; muito menos para o exterior. O jóia ainda devia estar dentro da casa: as janelas eram todas gradeadas ou lacradas, no sótão secreto não havia um modo de sair fora da casa e se o assassino tivesse saído pela porta da frente ou dos fundos, teria despertado a atenção dos criados que, apesar de estarem dormindo, podiam acordar a qualquer momento.
Depois de bastante tempo de espera, finalmente o som de passos interrompeu a monotonia do silêncio presente no corredor abaixo do sótão. Rastejando enquanto tentava não fazer barulhos, Milo olhou pelos buracos que havia feito e viu que Shaka estava arrumando algumas coisas em seu armário. Achando suspeito - diga-se de passagem, que o detetive achava tudo suspeito - fez a anotação mental de vasculhar o quarto do outro junto com Afrodite, outro dia. Se locomovendo com dificuldade em meio a poeira e ao espaço estreito, conseguiu ver através dos orifícios que Kamus estava trocando de roupa. Nesse momento pensou que, por mais estranho que aquilo parecesse, o outro era muito bonito.
Após vestir-se e amarrar os cabelos ruivos no alto da cabeça, o francês saiu de seu aposento. Ao julgar pelos barulhos de passos no corredor, o investigador deduziu que o indiano também saíra de seu quarto. Movendo-se com destreza, posicionou-se para ver o que acontecia na sala de música, para onde os dois se dirigiram.
Era uma sala belíssima, competindo com a biblioteca pelo posto de mais bela da casa. Um piano de cordas de madeira escura, sendo que em certos pontos eram formadas, com tonalidades claras, figuras curvilíneas e abstratas, estava posicionado a frente das janelas, também cerradas com grades, cobertas por uma cortina branca totalmente decorada por rendas. Via-se em armários envidraçados muitas caixas que guardavam instrumentos. Milo conseguiu identificar uma caixa de violino e uma de flauta, as outras tinham formas distintas que ele não conhecia.
Kamus, em seus movimentos suaves, sentou-se em uma poltrona de tecido branco, fazendo conjunto com outros artefatos de decoração do aposento tal qual o tapete e as cortinas, fechando os olhos e parecendo dormir. Logo, o detetive compreendeu o porquê dessa atitude: Shaka pôs-se a deslizar seus dedos pelas teclas brancas do piano, dedilhando-as com agilidade enquanto formava uma melodia única e suave. Havia um quê de romance e melancolia na música que o indiano tocava, fazendo os olhos de Milo até lacrimejarem. Quando a música que durou bem mais que seis minutos acabou, o silêncio fixou-se no ambiente. Shaka virou-se para Kamus sorrindo, e perguntou:

- E então?
- Por que você pergunta coisas das quais já sabe as respostas? - Rebateu o ruivo, passando o lenço que trazia consigo sobre os olhos.
- Porque eu adoro ouvir as respostas que você me dá. Apesar de todas dizerem a mesma coisa, cada vez você fala de um modo diferente. - Riu. - Acho que estou colecionando as suas críticas.
- Humn... Deixe-me ver... - Kamus jogou a cabeça para trás, recostando-se melhor na cadeira. - Posso dizer que você toca divinamente, quase como se fosse um anjo. Sua música sempre me encanta, dando a impressão que derreteria até o coração das geleiras do norte. Também sinto como se o meu coração, que por muitos foi comparado com gelo, fosse derreter e eu fosse engasgar com o nó que sempre teima em se formar na minha garganta. E isso sem falar das lágrimas que teimam em palpitar no canto de meus olhos... Satisfeito?
- Só há algo que eu não concordo. - E ao ver a sobrancelha do outro se franzir, completou. - O único anjo aqui é você.
- Estou longe de ser um anjo. - Ruborizou.
- Bem... Imagine eu, então?!
- Já resolveu tudo com "ele"?
- Sim, tenho certeza que não há nenhum problema. - Suspirou. - É uma pessoa racional e entendeu perfeitamente nossa situação.
- Fico feliz com isso, poupa-nos dos problemas.
- Hei, Kamus! Pronome no lugar certo é elitismo. - A risada do loiro ecoou pelo cômodo.
- Não posso fazer nada se sou parte da elite, um escritor e professor, ainda por cima. - Torceu o nariz, em desaprovação.
- Ahhh... Eu só estava brincando com você. - Acariciou as madeixas ruivas do francês, somente parando, sobressaltado, quando foi assustado pelas badaladas do relógio que ficava praticamente escondido entre as estantes. - Céus, esse barulho devia ser mais baixo! Enfim... É hora do jantar, vamos comer, Kam?

Os dois deixaram a sala de música e um detetive muito intrigado para trás. Milo questionava do que eles podiam estar falando. Seriam eles os assassinos e comentavam sobre um cúmplice? Muitas outras hipóteses passaram pela cabeça do investigador loiro, que resolveu deitar e pensar um pouco enquanto aqueles que vigiava estavam jantando.
Não demorou muito tempo para que um ruído despertasse o detetive, que cochilara. A princípio era apenas um rangido, irritante, porém quase imperceptível. Milo não havia notado. Também não notou o ruído se tornar cada vez mais forte. Passos. Leves, cuidadosos. Passos de quem não quer ser visto. O loiro abriu os olhos, ainda não muito consciente. Ouviu então uma porta abrindo, levando em consideração a distância do som, parecia vir do quarto de Shaka. A largura dos buracos o impedia de identificar a forma do indivíduo, então decidiu arriscar. Aquele poderia, não, devia ser o culpado. Quem mais estaria ali? Quando abriu o alçapão, este fez um ruído estridente. Milo amaldiçoou a si mesmo por não ter verificado se as dobradiças estavam enferrujadas, antes.
Bem, agora já era tarde de mais. O suspeito percebeu que tinha companhia e saiu para o corredor. O detetive pulou do alçapão e o seguiu até a biblioteca, onde tentou imobilizá-lo a força. Não conseguiu ver o rosto do outro, já que este era prevenido e usava um capuz. Lutava tentando desmascarar ou parar o outro, o que foi difícil visto que este também era bastante forte. Distraindo-se por um instante ao ver algo brilhar, sentiu uma dor aguda em seu braço e gemeu, fechando os olhos por um instante. Esse curto espaço de tempo foi suficiente para que o criminoso acertasse a nuca de Milo com força, fazendo o detetive cair desacordado.

- Milo! Ah, ainda bem, você está acordando! - Um guincho entre lágrimas foi mais que suficiente para despertar de vez o loiro, cuja cabeça pesava e os olhos embaçavam.
- Como não acordar com seus ataques histéricos, Dite...?
- Você fala, fala... Mas não vive sem mim. - Dramatizou o outro. - O que houve, Milo?
- Conte-me você. Encontraram algo perto de mim? - Franziu as sobrancelhas.
- Um caco de vidro ensangüentado, que causou esse corte em seu braço. - Apontou as faixas que cobriam boa parte do ombro e braço de Milo. - Uma bíblia sagrada que foi usada para bater em sua cabeça... E um pequeno vidrinho contendo mercúrio.
- Hamn... Quem que me achou?
- Shura e Seiya. Os barulhos de correria no andar de cima foram ouvidos por todos que se precipitaram em ir te ajudar. Shura e Seiya subiram primeiro, enquanto Marin avisou Aldebaram que vasculhou a área em busca do criminoso. Não achou nada.
- Imaginei... É alguém da casa. - Suspirou. - Afrodite, ouvi coisas estranhas, mas isso eu conto depois. Eu apenas achei que fosse o suspeito já que era uma pessoa encapuzada, me precipitei e fui atrás dela. Lutamos e, como você percebeu, estou nesta situação lamentável. - Fez uma pausa. - Aliás, os hóspedes saíram em algum momento da sala de jantar?
- Não, segundo Shura e os demais criados, ficaram o tempo todo sentados lá. Apenas subiram quando o mordomo pediu por ajuda.
- Isso é estranho... Tem alguma peça faltando nesse quebra-cabeça.
- Se o consola, acharam um termômetro e um vidrinho contendo mercúrio no quarto de Shaka, debaixo da cama. - Disse Afrodite, triunfante.
- Não... Isso foi quando o suspeito entrou no quarto. Ele se abaixou por um momento e tirou algo de seus bolsos. - Respondeu Milo, desanimado. - Parece que o criminoso quer mesmo é incriminar o pianista e não desfrutar do dinheiro pelo qual pode vender a coroa.
- Verdade. - Ficou pensativo.
- Aliás, onde estou? - Perguntou, olhando o ambiente a sua volta.
- Quarto de Kamus. Você foi trazido para cá, onde deram os primeiros socorros, enquanto Jabu ia chamar um médico. Felizmente, não foi nada grave. Dormir mais pode curar sua dor de cabeça e uma semana de cama pode curar seu braço.
- Não quero passar uma semana deitado. - Resmungou. - Quero continuar investigando!
- De modo algum! - Afrodite elevou o tom de voz. - Seu braço está machucado e você foi atingido na cabeça! Ficará deitado aqui, sim senhor!
- No quarto de Kamus? - Zombou. - Onde ele dormirá?
- Há outro quarto de hospedes sem uso! - Exclamou. - Shina e Shura estão limpando e arrumando o cômodo. Se o consola, ficarei aqui até mais tarde, porque o criminoso pode achar que teve seu rosto visto ou algo assim e tentar algo contra você.
- Nunca o vencerei em uma discussão, Afrodite. - Suspirou, resignado.
- Nunca mesmo! - Riu.

Capítulo 2 - Fim. Continua...

Hainelol
Captain


Hainelol
Captain

PostPosted: Thu Nov 22, 2007 6:40 pm


Atenção!
Capítulo contendo yaoi explícito (quaselemonnaverdade). =D


O Roubo do Cinturão de Hipólita
[Capítulo 3]



Milo estava extremamente irritado. Afrodite não o deixava investigar e nem havia lhe contado, ainda, as análises com o termômetro quebrado e com a caixa de chocolates. Claro, o detetive sabia que, antes de ser seu parceiro, o outro era seu amigo e só estava preocupado com seu bem estar. Só que no meio de uma importante investigação era impossível parar.
O culpado escapou por entre seus dedos furtivamente. O loiro estava frustrado: estivera frente a frente com o criminoso e este fugia de maneira triunfal. Era demais para o impaciente detetive. Num movimento rápido, ergueu-se da cama e andou vagarosamente pelo corredor, descendo a escada e encaminhando-se para a sala de jantar. Marin, a cozinheira, servia o café da manhã como era o habitual.

- Bom dia, senhorita Marin.
- Senhor Milo! - Exclamou a cozinheira, se assustando. - Eu já ia levar o café para você comer em seu quarto.
- Não, prefiro comer aqui na sala... - Suspirou. - Não gosto de ficar muito tempo parado, sabe? Por favor! Não deixe o Afrodite saber disso! - Implorou teatralmente, quando recebeu um olhar de desaprovação vindo da garota.
- Tudo bem... Mas não se esforce, viu? - Assentiu. - Vou buscar mais um prato. Por favor, sente-se. Os senhores Shaka e Kamus deverão descer em breve.

Milo ficou sentado a mesa, brincando com os talheres enquanto esperava os outros dois. Apesar de estar com fome, lembrou da etiqueta e aguardou, pacientemente. Não tardou até Shaka e Kamus chegarem a sala de jantar. Tudo decorreu tranqüilamente, conversavam sobre assuntos diversos como a estréia da mais nova peça de teatro escrita por Oscar Wilde.
Por fim, o detetive resolveu fazer algumas perguntas, já que conseguira amenizar o clima em relação a ele que, inválido ou não, era um policial e investigava a mansão, apesar de proibido.

- Vocês dois são muito amigos. - Viu os dois trocarem um olhar nervoso por um momento. - Se conhecem a quanto tempo?
- Nos conhecemos a mais de dez anos. - Sorriu, tranqüilamente, o indiano. - Kamus estava hospedado no mesmo hotel aqui em Londres que eu. Brincávamos juntos, até o dia que, contra minha vontade, voltei pra a Índia. Passaram alguns anos e nos encontramos, por acaso, em uma festa organizada pelo avô da senhorita Saori. Trocamos correspondências e até fomos assistir algumas apresentações juntos. Na época, Kamus já possuía seu nome como escritor e eu estava começando minha carreira como músico. Por coincidência, acabamos nos hospedando na casa de uma amiga em comum.
- Você espera realmente que eu acredite nesse conto de fadas, Shaka? - Indagou Milo. Estava blefando, de fato, mas não sentiu muita verdade nas palavras do outro. Apesar de não ter total certeza sobre o envolvimento dos dois no crime, acreditava que eles escondiam algo.
- O que o senhor está insinuando, Milo? - Perguntou o francês. - Por acaso acredita que perdemos o nosso tempo inventando uma história melodramática para entreter gente como o senhor? Isso é a mais pura verdade.
- Kamus, você é inteligente e em minha posição suspeitaria dessa história mal contada! - Exclamou o detetive. - É suspeito, não? Amigos se encontram por acaso em uma festa dada pelo avô da vítima, por acaso trocam correspondências e por acaso se hospedam ao mesmo tempo no mesmo lugar? - Frisou bem os "por acaso". - Franchement!
- Primeiro devo dizer que sua pronuncia para esta palavra foi bizarra e totalmente errada. Segundo... Se o senhor não acredita em mim, posso mostrar as correspondências enviadas por Shaka a mim! E tenho certeza que ele também mostrará a você as que eu enviei. - Respondeu Kamus, indignado. - Ou será que o grande detetive Milo Skorpion acredita que perderíamos tempo forjando cartas?
- Você me convenceu, professor Kamus d'Verseau. Mas de qualquer forma, quero ver as cartas.
- Desculpem-me, mas terei que me encontrar com os músicos com quem me apresentarei na próxima semana. - Disse Shaka, calmamente. - Acho que você sabe onde eu guardo minha correspondência... - E olhou para o ruivo. - Mostre ao detetive, certo? Bem, senhores, terei que ir agora, caso contrário me atrasarei!

Shura acompanhou o indiano até a porta, deixando Kamus e Milo sozinhos. Após terminarem de fazer o desjejum, subiram as escadas e se encaminharam para o quarto que agora era do francês, já que o investigador ficara com o dormitório onde ele estava alojado. O detetive tentou guardar todos os detalhes daquele aposento em sua mente. Era um quarto menor que o de Saori, mas igualmente belo. Todos os móveis eram de mogno e faziam formas curvas nas extremidades, deixando-os delicados e belos. A cama, perfeitamente arrumada, possuía um lençol azul claro que combinava com as cortinas de mesma tonalidade. Uma escrivaninha ficava encostada em frente a janela, possivelmente era onde Kamus trabalhava. Um guarda roupas estava posicionado na parede a frente da cama, ao lado de um armário repleto de gavetas e com duas portas de vidro na parte superior.

- É nesse armário que minhas cartas estão guardadas. - Comentou o francês, ao ver o interesse do outro pelo armário. Abrindo uma gaveta, tirou uma caixa e a alcançou ao outro. - Todas as cartas que Shaka me mandou. Se quiser, revire o meu quarto procurando por mais, se bem que tenho certeza que Shina e Mu terão um ataque histérico, pelo modo que imagino que deixará o quarto.
- É suficiente, Kamus. - Sorriu. - Vou confiar em sua palavra. Bem... Quero as cartas que você mandou para o Shaka, também.
- Venha comigo. - E saiu pela porta que entraram.

O quarto de Shaka era um pouco maior que o de Kamus e menos organizado. Milo pensou que cada cômodo da casa deveria ser decorado em um tipo de madeira. Enquanto o cômodo que Saori dormia possuía carvalho constituindo os móveis e o que Kamus dormia possuía mogno, os móveis do quarto que os dois acabaram de entrar eram constituídos, quase todos, de pinho. Para a surpresa do detetive, a cama daquele quarto era de casal. Parecendo adivinhar os pensamentos do outro, o ruivo disse:

- Shaka se mexe muito pela noite. Ele estava alojado naquele quarto que agora sou eu que durmo, mas caía freqüentemente da cama, assim o chefe da criadagem ofereceu esse quarto de casal.

Ao contrário de Kamus, o indiano não era tão organizado. As coisas que ele freqüentemente usava estavam todas organizadas sobre a escrivaninha por ordem de tamanho, todavia os objetos que pouco usava, como os que estavam no armário, estavam totalmente fora de ordem, dispostos aleatoriamente.
O francês pegou uma pasta que estava na última gaveta do armário e entregou ao outro murmurando que eram as cartas que mandara a Shaka.

- Quero ler em um lugar sossegado, mas se eu ficar mais dois minutos trancado no quarto, enlouquecerei! - Exclamou Milo.
- Estarei lendo na biblioteca, a partir de agora. Se quiser, pode me fazer companhia.

A biblioteca era, de longe, o cômodo mais confortável da casa. Várias estantes contendo os mais diversos livros davam vida àquele local. Poltronas grandes e macias estavam posicionadas a frente da lareira, que não estava acesa, já que não fazia frio. Milo acomodou-se em uma das poltronas e pôs-se a analisar as cartas. Por sorte, tanto o indiano quanto o francês eram organizados e guardavam as cartas por ordem de recebimento, o que facilitou o trabalho do detetive.
Nada chamava a atenção. Não combinavam nada, nem faziam referências a coisas suspeitas, simplesmente nada. Isso desanimou um pouco o detetive que já cansava de observar atentamente as cartas, uma a uma. Porém, ao ler um curto trecho teve sua atenção desperta. Não havia nada a ver com sua investigação, mas não deixava de ser algo estranho. "Anseio a hora de revê-lo, mon cher. Aqui cai neve aos montes e o frio seria insuportável, se não fosse a lareira sempre abastecida. Se bem que o frio que faz gelar meu corpo e alma não é o do inverno das estações e sim o do inverno de meu coração". Fora escrito por Kamus. Bem, resolveu continuar lendo e conteve em perguntar qualquer coisa ao ruivo. "Talvez eu não possa responder suas cartas, Kamus, visto que viajarei em breve" e "que coincidência, mon cher, também viajarei para a casa de uma conhecida" foram as duas últimas cartas. Nada suspeito e nada combinado, a não ser que tivessem destruído outras coisas que revelassem algo suspeito, mas o detetive duvidou que fossem fazer algo assim.

- Nada suspeito, Kamus. - Disse Milo, controlando ao máximo sua curiosidade em perguntar ao ruivo sobre aquele trecho.
- Eu ficaria surpreso se você tivesse encontrado algo suspeito. - Suspirou.
- Kamus...!
- Sim? - Franziu a sobrancelha.
- ...Ahn. A sua letra é bonita. - Mais uma vez, teve que conter sua curiosidade.
- Agradeço. É por causa da prática constante. - Esboçou um sorriso.
- Nem você, nem o Shaka disseram o que estavam fazendo na noite do assassinato.
- Detetive Milo, temos um álibi. - Fez uma pausa. - Mas, infelizmente, não podemos dá-lo. Ou iremos para a forca de qualquer jeito.

Milo estava mais inquieto que o normal, segundo Afrodite que veio visitá-lo. Apesar da insistência do detetive, o outro não revelava de forma alguma sobre o que havia sido descoberto a partir das pistas encontradas. Após o amigo ir embora, o loiro ficou deitado em sua cama com os olhos cerrados enquanto ouvia a suave melodia do piano sendo emitida. Shaka voltara a algum tempo e estava praticando sua mais nova composição em companhia de Kamus. Era inegável: a música era maravilhosa. Era para qualquer um sentir como se sua alma fosse elevada até Deus.
Logo, batidas suaves na porta despertaram o rapaz de seus devaneios.

- Com licença, senhor Milo. Aqui é o Mu, trouxe o seu jantar.
- Por favor, entre. - Sentou-se na cama.
- Boa noite. - E colocou a bandeja sobre o colo de Milo. - Deseja mais algo?
- Mu, eu não tinha o visto durante todo o dia. Algum problema?
- Não, de modo algum, senhor Milo. - Sorriu delicadamente, fechando os olhos verdes e ajeitando os cabelos loiros. - Eu estive na cidade comprando algumas coisas e aproveitei para passear um pouco. Encontrar uma pessoa, sabe? - E corou, sorrindo timidamente.
- Ah, sim! - Riu. - Perdoe a indiscrição. Boa sorte com essa "pessoa", viu?
- Agradeço! - Fez uma mesura. - Volto daqui a uma hora, para recolher a bandeja.

A porta foi fechada e o detetive começou a comer. Exatamente uma hora depois, Mu adentrou no cômodo para saber se podia recolher a louça. Recebendo uma resposta afirmativa, se retirou, deixando Milo, novamente, sozinho.
Virava-se de um lado para o outro na cama, tentando dormir, o que não foi possível. Não importava quantos carneirinhos, cabritinhos, ovelhinhas, vaquinhas, bezerrinhos e outros animaizinhos contasse, o sono não cooperava em vir. Por fim desistiu e resolveu caminhar até a sala de música e voltar, andar um pouco geralmente ajudava a dispersar suas energias extras. Como Milo estava sempre em atividade, ficar todo esse tempo parado desregulava seu corpo e mente totalmente.
Ao passar pela porta do quarto de Shaka ouviu um som. A curiosidade foi mais forte e, logo, estava abaixado olhando pasmo pelo buraco da fechadura. Naquele momento o detetive percebeu que suas suspeitas eram, de uma forma estranha, confirmadas. Shaka e Kamus eram realmente cúmplices, mas de uma forma diferente da que ele esperava. O crime deles não era a morte de alguém, mas sim o fato de entregarem seus corações um ao outro.
Observando atentamente, o detetive presenciou um beijo doce e sincero que demonstrava totalmente o amor dos dois. Uma das mãos de Shaka enlaçava a cintura do outro, enquanto a outra acariciava, delicadamente, os cabelos ruivos. Quando o desejo por ar falou mais forte, partiram o beijo e ficaram em silêncio, um encarando o olhar apaixonado do outro.
O loiro tomou a iniciativa, aproximando-se e deslizando os lábios pelo pescoço do francês, com lascívia.

- Não, Shaka. Pare com isso. - Kamus o interrompeu, com as faces rubras. - Não podemos... É errado, muito errado... Um crime.
- Prefiro dizer que é um pecado extremamente saboroso, Kam. - Riu o indiano. - Oh, vamos. Você nunca ligou para esse tipo de coisa e, muito menos, resistiu...

Shaka começou a desabotoar a camisa branca que o outro usava, com calma e tranqüilidade, como se aquele fosse um ritual sagrado. Logo, ocupava-se de cobrir com beijos delicados a área recém descoberta, arrancando baixos gemidos do outro. Gostando do efeito que causava, o loiro voltou a lhe beijar, mas este beijo foi mais intenso, devoravam-se naquela mistura de amor e desejo típicos dos casais mais apaixonados.
O detetive não se movia. Seu corpo estremecia em uma mistura entre nojo, por ver dois homens se agarrando daquela forma, e um estranho desejo. Queria estar no lugar de Shaka, queria que fosse em seus braços que o francês encontrasse amor e prazer. Perdeu-se naqueles pensamentos por alguns momentos. Como seria ter Kamus em seus braços, provar de seus lábios, sentir toda aquela tensão de estar fazendo algo que poderia condená-lo a morte.
Despertou desses pensamentos quando sentiu um incômodo em seu baixo ventre, voltou sua atenção ao casal, as roupas de Kamus já estavam sendo jogadas ao chão sem o mínimo de delicadeza e nem mesmo o ruivo, organizado como era, parecia se importar com a bagunça. Os olhos do detetive passaram devagar pelo corpo do francês, mas sua visão foi interrompida pelo indiano que distribuía beijos e carinhos pelo francês, empurrando-o devagar até a cama. Assim que aquele corpo perfeito estava deitado entre os lençóis foi atacado pelos lábios do parceiro, os longos cabelos loiros caindo sobre seu corpo impedindo totalmente a visão do detetive e, provavelmente, do próprio Kamus.

- Shaka... - E sorriu timidamente o ruivo.
- Sim, eu entendi. - Riu. - Não que faça muita diferença.

Shaka se afastou um pouco e assoprou as duas velas que iluminaram foscamente aquele cômodo, pouco tempo depois a escuridão tomara conta de todo o quarto e o único som ali era o da cama com o movimento daqueles dois corpos. Milo se afastou, desanimado, queria ver até onde aquilo poderia ir e, embora dissesse a si mesmo que o que presenciara fora algo nojento e que merecia uma punição, sabia que não poderia enganar a si mesmo com essa desculpa.
Voltou ao próprio quarto e, ao entrar, trancou a porta. Deitou-se na cama e passou boa parte do restante da noite sem conseguir dormir, tentando se convencer de que aquela cena fora algo repugnante. Em seus olhos fechados havia a imagem de Kamus, com aquela face corada e que lhe dera uma aparência indefesa. Algo enlouquecedor para o detetive que adormeceu tendo sonhos em que estava explorando o esguio corpo do ruivo.

Capítulo 3 - Fim. Continua...



- A única coisa que eu pesquisei para esse capítulo foram vestimentas de época e sobre o Oscar Wilde. =~ Para quem não sabe, em 1892 foi a estréia da peça de teatro O Leque de Lady Windermere. XD/
- Eu não revisei esse capítulo, por isso, desculpem os erros. =~
PostPosted: Thu Nov 22, 2007 6:47 pm


Eram Duas ou Três Vezes
[ Capítulo 2 - A Princesa e as Caixas ]



- Daniel, Daniel! Tem pessoas dentro dessa caixa.
- Hamn... Isso é uma televisão.
- Que horror! Encolhem e aprisionam pessoas dentro de uma caixa e nós, medievais, que somos... Medievais!
- Ag, isso é normal. - Suspirou, pensando em como explicar. - A televisão é como um retrato, é apenas a reprodução de uma paisagem, pessoa, animal... Sabe?
- Quer dizer que essas pessoas não estão dentro da televisão?
- Não, elas estão em outro lugar. - Sentia como se estivesse ensinando uma criança. - A televisão apenas mostra as imagens, que são... humn... gravadas com um aparelho. Aí as outras pessoas podem ver.
- Que interessante... - Fitou mais uma vez a tela.
- Aquela caixa do lado é um videogame. Com ele, pode-se jogar muitos jogos. Existem vários modelos de videogame. No caso, esse é um Mega Drive. É um pouco antigo, mas eu gosto dos jogos.
- Posso ver funcionando?
- Claro. Escolha um desses cartuchos. - Apontou uma caixa.
- Esse! - Pegou um deles.
- Sonic 2? Ok... - Introduziu um cartucho e ligou o Mega Drive.

Daniel ficou boquiaberto. Para uma princesa que viveu a centenas de anos atrás, Agnieszka dominava facilmente a tecnologia. Microondas, geladeira, telefone, forno elétrico, cafeteira... Todas aquelas coisas que podiam assustar - e até fazer acreditar que era obra de magia negra - alguém medieval, pareciam divertidas e interessantes para a princesa, que, com curiosidade, mexia em tudo que o garoto lhe mostrava.
Rapidamente, se acostumou com os controles e com o jogo, passando de fase com velocidade. Ria quando vencia, se irritava e tentava de novo quando perdia. Daniel sorriu com a garota, que, ao perder os cem anéis que havia coletado, xingava a si mesma.

- Tem outros jogos se quiser tentar. E tenho um Play Station lá no quarto.
- O que é um Play Station?
- Outro videogame. É um pouco diferente desse. Os gráficos, ou seja as imagens que você vê na tela, são mais realistas.
- Gostei do Sonic. - Franziu a testa.
- Tem Sonic para Play Station 2. - Agnieszka fitou-o com um sorriso. - Depois a gente joga, vou mostrar uma outra coisa para você. Vem cá. - E se dirigiu ao escritório.

A princesa ficou fascinada com a quantidade de máquinas que havia naquele cômodo da casa. Fitou cada uma delas imaginando seu uso. Sentou-se em uma cadeira, indicada pelo garoto, e olhou para ele com curiosidade, esperando explicações sobre aquelas coisas.

- Não adianta eu falar do scanner ou da impressora se eu não falar primeiro do computador.
- Computador? - E olhou em volta, perguntando a si mesma qual das máquinas podia ser.
- É esse, Ag. - Apontou o monitor, ligando-o. - Teclado, mouse, monitor, gabinete, microfone, webcam, caixa de som, modem... É, é isso. - Fez uma pausa, pensando se havia esquecido de algo. - Enfim, você aperta os botões no teclado para escrever no computador. - E explicou outras teclas. - O mouse você usa para apertar as coisas que aparecem na tela do monitor. O gabinete é o que faz tudo funcionar. - Olhou para Agnieszka, que estava atenta a explicação. - O microfone você pode usar para falar com as pessoas ou gravar sua voz. Já a webcam é usada para gravar imagens, como aquela que você viu na televisão...
- No meu caso, é impossível. - E riu, apesar do semblante triste.
- Bem... A caixa de som é por onde sai o som. Músicas, sons do computador, barulhos de jogos... Enfim. O modem é o dispositivo que conecta a internet.
- O que é internet?
- É uma rede que liga todos os computadores do mundo. Uma rede virtual. Quer dizer... Ela existe, mas existe virtualmente, não existindo fisicamente... Deu pra entender?
- Mais ou menos.
- Através da internet, você pode ler informações, comprar coisas, trocar arquivos e mais um monte de coisas. - Perguntou. - Quer tentar mexer?
- Quero! - Exclamou, empolgada.
- Vou deixá-la sozinha para se sentir a vontade. - Riu. - Irei tomar banho, tudo bem?
- Certo. - E voltou sua atenção para a tela do computador, mexendo com o mouse e já clicando em ícones.

Fofa. Essa palavra definiria a princesa, se não fosse pela arrogância que ela geralmente ostentava. Era o que pensava Daniel, enquanto tomava banho. Imaginava se a princes a estaria em algum site. E riu. Do jeito que ela era rápida para prender, com certeza já teria vasculhado muitas páginas nesse curto tempo. Afinal, não havia nada a temer, já que sua página inicial era... "Oh, crap!" - exclamou o garoto, mentalmente.
Terminou seu banho rapidamente, mal se enxugando e já foi correndo, só meio vestido, para o escritório, pingando água por onde quer que passasse.

- Ag!
- Gostei desse site. - Ria, perdendo o fôlego. - Não imaginava que você gostasse disso!
- Feche já essa página! - Berrou, extremamente corado.
- Aarinfantasy.com? Quando carregou, eu nem me importei, mas quando cliquei para ver o que era a "Gallery"...
- Chega, chega. - Cerrou os dentes, com raiva.
- Sério... As imagens já denunciaram, mas... O que é yaoi?
- Isso que você viu.
- E você gosta disso?
- Ahn?
- Gosta? - Sorriu docemente, apesar do tom irônico.
- Não. Minha... ex-namorada gostava, aí eu comecei a ler... E sim! Eu achei legal, algo contra? - Exclamou.
- Eu não, mas... O que é mangá? - Achou mais seguro trocar de assunto.
- História em quadrinho japonesa.
- Ahn?
- É tipo um livro, só que ao invés de só palavras, a história é contada através de imagens e diálogos.
- Você tem mangás?
- Tenho, tão no meu quarto.
- Posso vê-los? - Finalmente, virou-se de frente para Daniel, visto que estava de frente para o computador o tempo todo. - Tarado! Como se atrave a se apresentar semi-nu diante de mim? - Tapou os olhos e berrou.
- Se você tem um ataque histérico por me ver só de boxer, imagino como reagirá lendo um mangá yaoi. - Rolou os olhos, saindo do escritório ainda irritado.

Silêncio. Agnieszka entrou na sala, com uma expressão triste. O garoto se recusava a falar com ela. Só haviam passado algumas horas, mas ela não gostava de ser ignorada. Sentou-se ao lado dele no sofá e olhou pro lado, esperando uma reação, porém Daniel estava de olhos fechados e se recusava a olhar para ela.

- Ei... Fala comigo. - Sem resposta. - Desculpe, não sabia que você ia ficar tão bravo. - Continuava sendo ignorada. - Daniel, fala comigo!
- Eu não quero falar com você. - Abriu os olhos, a contragosto, fitando-a com uma expressão raivosa.
- Mas falou comigo agora! - E riu, enquanto aplaudia.

Daniel apenas rolou os olhos, sacudindo a cabeça em seguida. Infantil. Retirava tudo o que havia dito, ou melhor, pensado sobre fofura. Era irritante, arrogante e infantil. Sorte que os seis dias que faltavam passariam rápido e não precisaria mais dormir no sofá.

- O que você gosta para relaxar? - Perguntou a princesa.
- Gosto de cafuné. - Respondeu sem pensar.

Com um movimento brusco, Agnieszka fez com que o garoto deitasse a cabeça em seu colo. Quando ele abriu a boca para contestar, foi calado por um sorriso travesso que ela lhe dirigiu. Começou uma carícia suave com a ponta dos dedos no couro cabeludo de Daniel, que fechou os olhos para aproveitar.

- Eu gosto dos seus cabelos. - Comentou. - No meu reino, poucas pessoas tem cabelos negros.
- Não é algo tão raro, atualmente.
- Você é bonito.
- Ahn? - Arregalou os olhos.
- Pena que você tem olhos caídos, olheiras, sardas, pele cadavérica, cabelo de cor bonita, mas desgrenhado...
- Com licença, eu conheço todos os meus defeitos de cor. Não preciso que você me lembre deles.
- Não seria "lembre-me"?
- Quem liga para linguagem correta?
- Você é muito estressado. - Bufou. - Ei! Tem uma escova aí? - Empurrou-o e levantou-se rapidamente.
- Ah, eu não vou deixar você brincar de cabeleireiro comigo. Não tenho cara de Barbie. - Rolou os olhos.
- Silêncio. - Foi saltitando até o banheiro e voltou com uma escova. - Você tomou banho e não penteou o cabelo, como pode?
- Lembrei que a minha homepage podia chocar vossa alteza. - Mordeu o lábio, irritado.
- Ah, eu achei legal. - Murmurou. - Qualquer hora quero ler um mangá. Agora, eu vou escovar seu cabelo.
- Sem chance.
- Usa cabelo comprido e não quer cuidar?
- Uso cabelo comprido por preguiça de ir cortar.
- Que absurdo! A boa aparência é importante.
- O que importa é o que está dentro.
- Até entendo seu sentimento de autoconsolo, mas não precisa usar de desculpa só porque é feio e desleixado.
- Ei, você disse que eu era bonito!
- Estava zoando com você. - Sorriu, marota.
- Eu odeio você, Aggy.
- Sentimento recíproco, Danny.
- ...Danny?
- Aliás, quem é Barbie?
- Uma boneca.
- Eu tive, e tenho, muitas bonecas em meu reino. Lindas mesmo! - Fitou o nada, distraída com a lembrança. - Meu irmão trouxe uma boneca de olhos de vidro e fios de cabelo natural, certa vez, de uma viagem. Foi um dos presentes mais lindos que eu já ganhei. Sinto saudades do meu irmão e da minha irmã.
- Você é a filha mais nova?
- Não, a do meio. - Voltou sua atenção a Daniel. - Meu irmão é o mais velho. Vai suceder o trono. E minha irmã mais nova é filha do segundo casamento de meu pai, visto que minha mãe morreu. Não nos damos muito bem, ela tem inveja de tudo que eu tenho.
- Normal.
- Você tem irmãos?
- Não...
- E seus pais?
- Viajando a trabalho. - Fez uma pausa. - Vamos ir a algum lugar? Tenho que comprar mais comida.
- Desde que não seja miojo.
- Imagina! Vou comprar sopa instantânea. - Sorriu. - Tem gosto de nada... salgado.
- Você me desculpou?
- Pelo que? Já esqueci, até. É melhor esquecer. - Pegou uma borrachinha que estava sobre a mesa e prendeu o cabelo. - Vamos?

Capítulo 2 - Fim. Continua....


Ok, quanto ao nome do reino da princesa, apesar d'ele não ter sido mencionado nesse capítulo...
Tirei de um dicionário de latim. =3 Nome em latim para uma comuna francesa chamada Auxerre, no departamento Yonne. 8Dv

Hainelol
Captain


Hainelol
Captain

PostPosted: Thu Nov 22, 2007 6:55 pm


Título: Quero Estar com Você.
Estilo: Redação.
Gênero: Romance (yaoi).
Tipo: Completa, capítulos.
Censura: 18+.
Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, caso contrário a Saori morreria no primeiro episódio e os cavaleiros de ouro seriam os personagens principais. No primeiro capítulo, utilizei a música I Wanna Go to A Place que pertence a Rie Fu. No segundo, utilizei a música Truly, Madly, Deeply que pertence a Cascada. E no terceiro, utilizei a música Everytime We Touch que pertence, também, a Cascada.



Quero Estar com Você



Eu quero ir a um lugar onde eu posso dizer
Eu estou bem e permaneço aí com você
Eu quero saber se aqui pode ser de qualquer jeito
Aqui não tem luta, e eu estou são e salvo com você


Decidi. Hoje é o dia. "Dia de quê"? - devem estar se perguntando. É o dia que eu decidi: falarei para a pessoa que eu amo sobre meus sentimentos. Como para qualquer homem de minha idade, é algo difícil. Nunca é fácil dizer aquilo que se sente com palavras. Para muitos, parece banal pronunciar três palavrinhas mágicas. Mas para mim não é. Essa pessoa que eu amo, é a única pessoa com a qual tenho amizade de verdade. Compartilhamos alegrias, tristezas, medos... Desde quando éramos crianças. Ela foi trazida de um lugar distante e estava um pouco deslocada. Me aproximei dela e quando percebemos, já eramos grandes amigos. Amigos para o que der e vier. Quando teve que ir treinar um pirralho aleatório e sem importância num fim de mundo... e um fim de mundo gelado, fiquei triste.
Era uma dor quase que insuportável, mas eu era e sou um cavaleiro. Tenho meu orgulho. Engoli, com unha e tudo (como diz um outro amigo meu), a tristeza e segui minha vida. Quando voltou, estava diferente. Tratava as pessoas com mais frieza. Claro, eu era o único que recebia uma vez ou outra um sorriso discreto ou um aceno de cabeça em cumprimento. Quando notei, aliás... eu sempre soube disso, só estava me forçando a acreditar que era uma bobagem. Meu orgulho tolo me impedia de ver o amor que sentia por essa pessoa tão fria, mas ao mesmo tempo muito quente. Parei pra pensar, ontem, e decidi que falaria sobre meus sentimentos. Não vai ser fácil, porque há mais um motivo. Eu sou um homem. "Sim, e daí"? - vocês se perguntam. O problema é "ele também é um homem".
E não é um homem qualquer. Assim como eu, Milo de Escorpião, é um cavaleiro que leva nas costas o peso de proteger Athena e de estar no topo da hierarquia dos cavaleiros. Ele é Kamus de Aquário, o mago da gelo. Educado, frio, racional, inteligente, por incrível que pareça, com um coração nobre e alma gentil. É a pessoa quem eu amo e a pessoa que espero que retribua o que eu sinto.

E toda vez que eu olho, eu penso que você estava aqui,
Mas era somente minha imaginação
Eu não vejo isso mais porque vejo você agora


Enquanto penso nisso, estou descendo as escadas, apesar da Casa de Aquário ficar acima da minha. Kamus foi treinar alguns jovens aspirantes a cavaleiros, então devo descer até as arenas para falar com ele... espere. Sinto o cosmo de Kamus, mais perto que o previsto! Precisamente, vem da sexta casa, a Casa de Virgem, onde o "puro e casto" Shaka é guardião. É impossível não questionar porque os dois estão juntos. Meu amigo francês e o silencioso indiano sempre se deram bem, sabe, afinidades em seus interesses, leituras em comum, e outras coisas do gênero. Bem, levando em consideração as coisas que eles tem em comum, talvez estejam trocando livros ou falando sobre algum documentário esquisito que ninguém entende.
Esconder o cosmo rapidamente é básico para qualquer cavaleiro, obviamente já o fiz. Deslizando por entre os pilares da Casa de Virgem, escondendo-me nas sombras cheguei a um lugar onde dá para avistar Kamus e Shaka. Eu não posso ser um cavaleiro. Devo ser um ninja, porque usando de contorcionismo e um tanto de malabarismo, consegui me aproximar bastante sem que me vissem ou ouvissem. Agora sim, eu posso ouvir o que eles estão a falar:

- Shaka... Eu gostaria de lhe falar uma coisa. - evidentemente, quem se pronunciou foi o Kamus. Aquele tom polido e delicado... Sempre me acalma. Mas hoje não, meu coração bate a mil por hora, tenho certeza - É um assunto sério. Por isso, gostaria que não me interrompesse... é um pouco difícil de dizer. - Kamus corou. Kamus corou! Isso deve ser ilusão de ótica. Nem todos os cento e oito espectros juntos arrancariam alguma reação daquele rosto frio e enigmático.
- Diga-me, Kamus. Ouvirei com atenção e prometo não lhe interromper. - o indiano acenou com a cabeça, como se permitisse que Kamus falasse.
- Isso é um tanto embaraçoso, Shaka. Mas... - Maaaas...? Minha curiosidade está roendo até minha alma - Tenho que lhe dizer. É como se pesasse em mim... E será um alívio quando o fizer, mesmo que você diga o que eu não espero ouvir. - Shaka abriu a boca para falar, mas Kamus pediu silêncio levantando o braço - Eu estou apaixonado por você.

Se meu maxiliar não tivesse preso aos outros ossos, meu queixo teria despencado ao chão quando ele terminou de proferir essas palavras. Kamus...? Apaixonado? Eu não consigo processar essa informação. Eu não consigo, eu não posso e eu não quero. Em meus planos, estava dizer para meu aquariano favorito de todo o meu amor, receber um sorriso daqueles delicados, mas cheios de emoção e ouvir as palavras "também te amo".
Por que Shaka teve que roubar Kamus de mim? Bem, na verdade ele não fez nada. Está tão boquiaberto ou mais do que eu, parado enquanto fita os olhos de Kamus com uma emoção que eu não estou conseguindo decifrar. Em minha vontade verdadeira, quero pular daqui e esganar aquele loiro desgraçado. Mas, infelizmente, devo me conter. Senão, serei congelado e mandado a algum dos seis infernos, por me meter (novamente - diga-se de passagem) na vida alheia.

- Eu sei que talvez seja difícil de compreender. Mas eu precisava te dizer isso. - sorriu. Kamus movimentou os lábios formando um sorriso fraco, sincero e delicado. - Eu espero que mesmo que não corresponda o que eu sinto, continue igual comigo. Porque eu não vou mudar. - na mão dele, apareceu uma rosa. Uma rosa feita de gelo. O maravilhoso gelo do mago da água, que não derrete - Sinto muito, Shaka... mas aceite. - se abaixando, deixou a rosa no chão - Já irei me retirar.

Eu senti. Kamus está com uma expressão triste. Ele vai chorar. Mesmo que raramente (na verdade, eu nunca o vi chorando) mostre algum sentimento, ele também se sente infeliz as vezes. Pelo menos, vou ir logo após ele ir embora e consolá-lo. Talvez eu tenha ainda alguma chance com um Kamus carente e com o coração partido.

- Por favor. Espere. - Shaka se manifestou, pegando a rosa e se aproximando de Kamus. - Fala sério? - Nããão... O Kamus abriu o coração para você, fez uma rosa de gelo e está quase chorando por causa de uma brincadeira. Shaka, sua anta!
- Falo, Shaka. - Kamus estava de costas para o virginiano, e conseqüentemente para mim, já que eu estava posicionado quase que atrás do loiro. Eu podia ver o rosto de Shaka, mas com pouca clareza. - Como nunca falei em toda minha vida. - Ele se virou. Estava com os olhos cheios de lágrimas.
- Kamus... Devo lhe dizer uma coisa. - Já não fez bobagens demais, seu metido que fede a incenso?! - Eu o amo também.

Foi Kamus quem se surpreendeu. Ele congelou por alguns instantes (aliás, é estranho dizer que o Cavaleiro de Aquário, quem transforma os outros em picolé, congelou) e abriu um lindo sorriso. O mais lindo sorriso que já vi. Sincero, de extrema felicidade. Nunca achei que um dia esse ruivo lindo fosse sorrir dessa forma. Sinto meu coração se iluminar com esse sorriso. Já que eu estou, praticamente, atrás de Shaka parece que esse sorriso é para mim.
Eu poderia explodir a estátua de Athena para ver esse sorriso mais uma vez... e dedicado a mim. Kamus é lindo, tem um sorriso lindo e uma personalidade maravilhosa. E seu coração pertence a outra pessoa. Bom, eu vou superar isso. Vou ficar feliz só de estar ao seu lado, como seu amigo. Eu devo me retirar agora, mas não posso. Sei o que vai acontecer. Mas parece que meu coração não irá encarar a verdade sem ver isso.

- Shaka, então... - respirou fundo, como se estivesse tomando coragem - Posso te beijar?
- Deve. - sorriu.

Os lábios deles se tocaram.
E uma lágrima escorreu de meu rosto.
Bom, acho (na verdade, tenho certeza. Maldito vício de linguagem) que está na hora de voltar para casa. Vou ver se o Aiolia e o Mu estão afim de ver um filme, comer pipoca e depois ficar jogando conversa fora. Shaka e Kamus parecem estar ocupados, já que foram pros aposentos internos da Casa de Virgem.

O quê está me impede? Eu estou preso novamente.
Isso está realmente bem? Nunca está bem para mim.
O que está havendo comigo? Estou perdido novamente.
Isso está realmente bem? Nunca estará.


Continua...
PostPosted: Fri Nov 23, 2007 12:19 am


Título: Quando Alguém Me Amou.
Estilo: Redação.
Gênero: Romance (yaoi), drama.
Tipo: Oneshot.
Censura: 13+.
Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, caso contrário a Saori morreria no primeiro episódio e os cavaleiros de ouro seriam os personagens principais. Eu utilizei a música When Somebody Loved Me e, sim, é de Toy Story 2. x3



Quando Alguém Me Amou



Quando alguém me amou,
Tudo era lindo
Todas as horas que nós passamos juntos
Vivem no meu coração


Anos e anos juntos. Desde que éramos crianças. Apesar de você ter passado muito tempo naquela imensidão de gelo e neve, ainda assim pudemos conviver muito juntos. Lembro de várias coisas. Era ótimo ter a sua companhia e sei que você gostava de ter a minha.
Conhecemo-nos pequenos e logo domamos o desafio dos idiomas diferentes. A língua nunca foi uma barreira para nossa amizade, aliás. Algo que aconteceu naturalmente, sem que precisássemos de palavras para entender um ao outro.
Passamos tanto tempo juntos que já prevíamos como o outro agiria, o que estava pensando e, até mesmo, técnicas de combate.

E quando ele estava triste
Eu estava lá pra secar suas lágrimas
E quando ele estava feliz, eu também estava.
Quando ele me amava


Você raramente mostrava ter algum sentimento. Alguns até diziam que seu coração havia atingido o zero absoluto antes de sua Execução Aurora. Mas eu sei que isso é mentira.
Vi-o chorando poucas vezes. Nos raros momentos que isso acontecia, você ficava desconfortável e dizia que não era nada. Eu sei que gostava do escudo de frieza que emanava ao seu redor.
Todavia, eu não deixava passar somente como se fosse “nada”. Abraçava você e o deixava derramar todas as lágrimas que quisesse. Às vezes, ficávamos horas abraçados. Sabia que seu treinamento era árduo, porque, além de treinar fisicamente, seu mestre queria que matasse seus sentimentos.
Nós juramos que íamos continuar amigos para sempre. Isso não nos prejudicaria nas batalhas, mas sim nos daria força.

Durante o verão e a primavera
Nós tínhamos um ao outro, O que era tudo.
Só eu e ele juntos como tudo devia ser.


Você odiava calor, porém sempre corria, ria e se divertia comigo. Somente nós dois. Certa vez, acabamos até descobrindo uma cascata de águas cristalinas. Era ótimo depois dos treinos relaxar ali. Juntos, aproveitando a companhia um do outro enquanto limpávamos o suor de nossos corpos na água. Com direito a brincadeiras e competições de natação, claro. Você sempre ganhava. E quando perdia, era porque não queria que eu ficasse emburrado de tanto perder.
Na primavera, quando as flores alvas cobriam alguns pequenos campos por entre os rochedos gregos, ficávamos bastante tempo sentados aproveitando o aroma floral. Eu até me dedicava arduamente à tarefa de emendar flores em uma grinalda para você. Corava, suas faces ficando da mesma cor dos cabelos destacando ainda mais o branco das florezinhas miúdas.

E quando ele estava sozinho,
Eu estava lá pra confortá-lo
E eu sabia que ele me amava.


Você nunca ficava sozinho muito tempo. Eu sempre aparecia para fazer companhia. Até brincávamos que havia um GPS em você, já que eu sempre o descobria, independente do lugar onde estivesse.
Certa vez me assustei. Não o encontrava em lugar algum. Até achei que você começara a preferir a solidão a mim. Qual foi a minha surpresa quando você apareceu de repente e me conduziu até uma clareira na floresta? No momento estranhei, até que vi um bolo e um embrulho sobre uma mesa improvisada.
Era meu aniversário e você sumira para prepará-lo para mim. Não soube o que dizer e comecei a chorar. Você ficou assustado e achou que havia sido uma péssima idéia, desculpando-se um milhão de vezes para mim, que estava feliz e não conseguia demonstrar. Só conseguia chorar.
Depois que me acalmei, abracei-o e passamos o resto do “meu” dia comemorando. Você até tinha colocado uma velinha no bolo, para eu apagar. E o presente? Um porta-retrato com uma foto de nós dois.
Não existe presente melhor do que a sua companhia.

Então os anos se passaram,
E eu fiquei na mesma,
Mas ele começou a sair,
Eu estava meio sozinho,
Mais esperava pelo dia
Que ele dissesse "Eu vou sempre amar você"


Eu gritei, chorei e fiz de tudo para impedi-lo, porém não houve jeito. Você foi encaminhado para treinar dois aspirantes a cavaleiro na Sibéria. Sabia que isso um dia aconteceria, é claro. Você é uma das poucas, talvez a única, pessoas que conhece as técnicas do gelo. Era mais que óbvio que um dia teria que ter pupilos a quem passar essa arte.
Fiquei sozinho e muito infeliz. Continuava sorrindo, dizia que estava tudo bem. Mas não estava nada bem. Longe de você nada está bem. Um dia, resolvi fazer uma loucura. Que se danasse o Santuário, o Grande Mestre e Athena. Sou um Cavaleiro de Ouro, porém antes disso sou humano. Não ia agüentar muito tempo a solidão.
Qual a sua surpresa quando me viu chegando? Acho que nunca imaginou que eu cometeria a loucura de ir para a Sibéria atrás de você. Depois de encerrar o treinamento diário e mandar seus aprendizes para a cama, você veio falar comigo.
Abraçou-me e não disse nada. Palavras não eram necessárias. Eu sabia o que você queria dizer e você sabia que eu sentia o mesmo. Por isso, eu o beijei.

Solitário e esquecido
Eu nunca pensei que ele olharia meu caminho,
Quando ele sorria pra mim, e me ajudava.
Como ele me amava
Quando ele me amava.


Nós sabíamos que estávamos apaixonados um pelo outro, mas não podíamos ficar juntos. Você tinha aprendizes para treinar e eu devia ficar no Santuário protegendo Athena. Passei, no máximo, duas semanas na Sibéria desfrutando de sua companhia. Você voltava dos treinos, com seus aprendizes, exausto. A única coisa que eu podia fazer era acolhê-lo em meus braços e zelar por seu sono. Gostaria de ter passado a eternidade assim, porém o Santuário exigiu que eu voltasse.
Voltei para a solidão. Fui punido por ter saído sem autorização, mas eu nem dei importância. Eu pensava em seu sorriso tímido. O sorriso que só eu conhecia. Isso era o que motivava dia após dia. Passou bastante tempo, não sei precisar quanto. E fiquei muito feliz ao saber que você estava de volta ao Santuário. Seria por pouco tempo, algo rápido só para informar algo ao Grande Mestre. Mas tempo o suficiente para aproveitarmos mais um pouco juntos.
Você estava triste. Havia perdido um de seus discípulos em um acidente. Aliás, quase perdera os dois. Tentei de tudo para animá-lo, mas tudo era em vão. Um dia, você me confidenciou que tinha medo de me perder. Eu sorri, o abracei e disse que estava tudo bem. Nunca iríamos nos separar.

Quando alguém me amou,
Tudo era lindo,
Todas as horas que passamos juntos,
Vivem no meu coração
Quando ele me amou.


Você disse mais de uma vez que tinha medo de me perder. E seu medo triplicou quando começou a batalha contra os Cavaleiros de Bronze que defendiam uma suposta Athena. Ninguém, além de mim, percebeu o seu conflito interno. Temia por Athena, pelo seu discípulo e por mim. Você esquecia de temer por si mesmo.
Por isso que acabamos separados. Eu defendendo Athena e você descansando no sono eterno. Não deixo de chorar uma noite por você. Desejo que um dia possamos nos reencontrar, mesmo que seja no além.

Fim.

Hainelol
Captain


Hainelol
Captain

PostPosted: Fri Nov 23, 2007 1:31 pm


Quero Estar com Você - Parte II



Eu vou ser seu sonho, eu vou ser seu desejo, eu vou ser sua fantasia
Eu vou ser sua esperança, eu vou ser seu amor, ser tudo que você precisa.
Haverei de te amar com toda a força do meu ser
Verdadeira, louca e intensamente...


É difícil de acreditar que as pessoas possam mudar tão rápido. Até a uma semana...? Não, menos tempo... uns cinco dias atrás, Kamus e Milo estavam sempre juntos. Onde um ia, o outro fazia companhia. Quando não estavam juntos, era porque tinha discutido e sempre eu, ou Aiolia, resolvia as brigas. Como disse Aldebaram: "quando eles não estavam rindo e conversando, brigavam que nem cão e gato". Nada se encaixava melhor na dupla dinâmica de Aquário e Escorpião. Mas isso mudou.

Shaka mudou também. Estava sempre sozinho meditando. As únicas pessoas que conseguiam arrancar dele mais do que alguns sorrisos sarcásticos eramos eu e o Kamus. Conversavamos, riamos, ouviamos música, treinavamos e contavamos histórias. Bem, Milo freqüentemente se unia a nós... Eramos muito amigos, sabe. Mas como eu disse - duas ou três vezes - isso mudou. E como mudou? Nem eu sei.

Tudo começou de repente... Milo me disse que tinha que dizer algo ao Kamus, assim voltou a oitava casa para pegar algo. Depois o vi saindo da casa de Virgem com uma expressão lastimável. Olhou-me com olhos tristes, sorriu fracamente e desceu as escadas. Eu adentrei na casa de Virgem, no máximo de silêncio, mas não vi ninguém. É um mistério o que aconteceu lá, porque sempre que pergunto para o escorpiano, acabamos mudando de assunto devido ao desconforto que causa.

Serei forte, serei fiel,
Pois estou contando com um
Novo recomeço
Uma razão para viver
Um sentido mais profundo.


Hoje eu tomei uma decisão. Vou falar com Shaka, afinal foi na casa dele que as mudanças de humores começaram. É impossível que alguém tão esperto como Shaka não tenha notado algo de errado. Praticamente rastejando por entre um corredor, morrendo de medo de ser visto, adentrei nos aposentos internos da casa de Virgem. Quando éramos crianças, tinhamos a mania de nos escondermos e assustarmos um ao outro. Relembrar a infância não faz mal nenhum, né? Por isso estou aqui, entre o ármario e a cortina do quarto de meu amigo indiano.

Estou esperando por uns dez minutos, mas vozes interrompem o silêncio do corredor. Pelo que parece, Shaka não está sozinho. É bastante raro vê-lo trazer alguém para esses aposentos. Geralmente, somente se consegue falar com o cavaleiro de Virgem nos aposentos menos pessoais desse lugar. Seu quarto é um mistério para muitos, bem... não para mim. Shaka e eu nos consideramos irmãos. Por isso que eu quero saber o que está acontecendo. Somos irmãos. Irmãos devem ficar unidos.

Eu nunca achei que fosse ficar tão surpreso como estou agora. Vi adentrar no quarto, junto com Shaka, Kamus de Aquário. Claro, os dois são amigos. Que motivos eu tenho pra estranhar? Oras! Amigos não andam de mãos dadas! O francês e o indiano seguravam a mão um do outro e sorriam docemente. Kamus sorrindo! Shaka sorrindo (não que ele nunca sorria, mas seus sorrisos tendem a ser sarcásticos)! Bem... Parece que ainda vou ver coisas mais... assustadoras - não encontro um termo melhor.

Quero ficar com você no alto de uma montanha
Quero me banhar com você no mar
Quero deitar juntinho assim para sempre
Até o fim dos meus dias.


- Posso te pedir uma coisa, Shaka? - Kamus se manifestou. Alguém que não o conhece podia vir a pensar que ele está falando somente de forma educada. Mas como eu o conheço a cerca de dez anos, sei que esse tom é carinhoso.

- Pode. - sorriu em resposta.

- Posso ver seus olhos? - ao ver a expressão que Shaka fez, tratou de explicar melhor - Digo, acho que nunca o vi de olhos abertos. Eu tenho uma certa curiosidade em saber a cor deles. Você se importa... ou eu não posso?

- Imagine se eu vou negar algo para você.

Shaka abre os olhos lentamente. Até eu estou admirado. É um tom de azul maravilhos. Um tom de azul claro, muito vivo. Mas delicado, ao mesmo tempo. Contrastando com a pele clara e os cabelos loiros do virginiano, é uma visão linda. Kamus abre os lábios como se quisessee dizer algo, mas parece que o som não quer sair. Apenas está fitando fixamente os olhos do outro.

Rindo, o loiro segura o rosto do ruivo e une seus lábios aos dele. Ok, minha vez de ficar assustado. Depois de essa troca de palavras entre eles, devia imaginar que amizade não é bem o sentimento que sentem um pelo outro. Aliás, está mais do que evidente que eles não são apenas amigos. É claro que minha consciência me diz que eu devo sair agora, me teleportar, sei lá! Mas simplesmente não posso sair daqui dizendo "Oi, Shaka! Oi Kamus! Vi vocês se beijando. São um casal bonito. Estou torcendo por vocês" ou algo do tipo. Então ainda estou observando.

- Shaka, eu... - Kamus corou, ficando de um vermelho mais intenso que seus cabelos. O cavaleiro de Aquário corado... taí uma coisa que eu não achei que fosse viver pra presenciar.

- Também quero isso, mon ange. - Shaka riu imitando o sotaque do outro.

- Oh, - bufou o francês - não fico surpreso com isso, mon amour... - dá pra ver que está um pouco ofendido. - Mas eu...

O loiro o calou com um beijo. Intenso. Profundo. Apaixonado.

E quando as estrelas estiverem a luzir seu brilho no
Céu aveludado
Farei um pedido, enviarei para o céu, farei que
Lágrimas brotem do seu rosto
Lágrimas de alegria por todo o prazer e certeza
De que somos rodeados pelo conforto
E proteção ...
Da força mais poderosa que existe
Nos momentos solitários
Das lágrimas que consomem você.


- Você teme ainda alguma coisa ainda, Kamus?

- Não. - sorri - Mon ange, por que eu temeria? Je t'aime.

Eu não entendo francês. Mas não precisa ser nenhum gênio pra entender o que Kamus disse. Principalmente depois do enorme sorriso que Shaka abriu, enlaçando o pescoço do outro em seguida. Enquanto beija o francês - com uma certa agressividade, diga-se de passagem - o indiano o empurra na cama. Onde continua o beijo aprofundando-o.

Não aguento mais ver isso. Além do quê, não é ético assistir um casal prestes a... bem... vocês entenderam.

E agora estou na casa de Áries. Acabei de me teleportar. E entendo Milo.

Bem... as pessoas mudam... Esse santuário nunca mais será o mesmo...

Oh, será que você não consegue enxergar, amor?
Não precisa fechar os olhos, porque está bem diante
De você
Tudo o que você precisar com certeza virá.


Serei seu sonho, serei seu desejo, serei sua fantasia,
Serei sua esperança, serei seu amor, serei tudo o que você precisa.
Haverei de te amar com toda a força do meu ser

Verdadeira, louca e intensamente ...

Quero ficar com você no alto de uma montanha
Quero me banhar contigo no mar
Quero deitar juntinho assim para sempre
Até o fim dos meus dias.



Fim.
PostPosted: Fri Nov 23, 2007 1:34 pm


Quero Estar com Você - Extra
Toda Vez que nos Tocamos



Eu ainda ouço sua voz, quando você dorme ao meu lado
Eu ainda sinto seu toque nos meus sonhos
Me desculpe pela minha fraqueza, mas eu não sei porque
Sem você, é tão difícil de sobreviver


- Acho que ouvi um barulho, Shaka...
- Não. É sua imaginação. - sorriu docemente - Você está nervoso.
- Eu não estou...
- Então o que me diz disso...? - atacou o pescoço de Kamus, arrancando gemidos.

Um sorriso malicioso percorreu os lábios do indiano. Encostava os seus lábios e deslizava a língua pela pele alva, deixando um rastro avermelhado. Sentiu que a curta e fina túnica que Kamus usava estava lhe incomodando, por isso deslizou parte dela para ter maior alcance sobre o corpo do outro. Continuou brincando, passando sua língua e lábios, descendo do pescoço até o peito do outro. Experimentou ver qual seria a reação do ruivo se deslizasse sua língua para um de seus mamilos.

Ouviu o outro gemer baixinho. Riu internamente e passou a língua novamente por aquele lugar, arrancando outro gemido. Fitou Kamus nos olhos e o beijou novamente, murmurando em seguida algo quase inaudível que soou como "você é muito bonitinho, sabia?". Finalmente se livrou de vez da fina e delicada túnica. O que não fez muita diferença. Já que as túnicas era extremamente curtas. O indiano cada vez concordava mais com Aiolia: "deve ser fetiche do Grande Mestre".

- Kamus... - afagou os cabelos ruivos. - Só vamos continuar se você quiser.

Como resposta, teve sua mão beijada pelos lábios macios e delicados de seu namorado. Sorriu em resposta. Sabia que era um sinal para continuar. Passou a língua próximo ao ponto sensível de Kamus. Recebendo uma exclamação, abafada, em resposta. Envolveu de vez aquele lugar, arrancando um grito surpreso. Continuou fazendo movimentos, cada vez mais rápido. Até que sentiu o gosto do ruivo em sua boca.

O francês se desculpou e se ofereceu para limpá-lo. Não contava com a resposta: "com a língua?". Bom, resolveu se arriscar, deleitando o loiro com a sensação. Shaka sentiu que estava na hora. Então beijou o outro ternamente, murmurando palavras em seu ouvido de forma que o fizeram corar. Sorriu e levou um dedo a boca do ruivo, que lhe olhou surpreso.

- Umideça-o.

Entendendo, Kamus obedeceu, envolvendo com seus lábios. Satisfeito, o indiano o beijou introduzindo um dedo para dentro do outro. O que o fez seu amado gritar, um pouco alto, mesmo que tivesse tentado abafar a voz. "Relaxe" - murmurou. Continuou fazendo movimentos, até sentir que o ruivo estivesse relaxado. Introduziu outro dedo. Quando sentiu que o outro já estava pronto começou a entrar dentro dele.

Sempre pedindo para o outro relaxar e manter a calma (aliás, manter a calma era uma ordem tola. O cavaleiro de Aquário nunca se exaltava). Logo que Kamus se acostumou, Shaka começou a se mover. Arrancando gemidos e gritos, cada vez mais altos.

Porque cada vez que nos tocamos, eu tenho esse sentimento
E cada vez que nos beijamos, eu juro que posso voar
Você pode sentir meu coração bater mais rápido? Eu quero que isso dure
Preciso de você do meu lado
Porque cada vez que nos tocamos, eu sinto essa estática
E cada vez que nos beijamos, eu alcanço o céu
Você pode sentir meu coração batendo então,
Eu não posso deixar você partir
Quero você em minha vida


Por fim, caíram exaustos. Só tendo forças pra trocar mais um beijo. Por fim dormiram abraçados. E só acordaram bem depois.

Logo que voltou do banho, Kamus notou no chão, entre o armário e a cortina, do quarto de Shaka, a fita que Mu usava para prender seus cabelos. "Então não foi impressão. Alguém esteve aqui mesmo" - gelou até a alma.

- Agora já era. - Shaka riu, se aproximando, como se tivesse lido os pensamentos - Vem me dar um beijo de bom dia?

Como recusar algo pedido com um sorriso safado vindo de uma pessoa supostamente inocente?

Fim - de verdade.

Hainelol
Captain


Hainelol
Captain

PostPosted: Fri Nov 23, 2007 1:38 pm


Título: Edelweiss.
Estilo: Redação.
Gênero: Romance (yaoi).
Tipo: Oneshot.
Censura: 13+.
Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, caso contrário a Saori morreria no primeiro episódio e os cavaleiros de ouro seriam os personagens principais. Eu utilizei a música Edelweiss, do filme A Noviça Rebelde. Deve pertencer aos produtores...



Branco Nobre



Edelweiss, Edelweiss
Toda manhã você me cumprimenta


A luz que emana a pessoa que amo é branca. É uma luminosidade que me acalma o coração, sinto como se tivesse minha alma purificada só de lhe dirigir um olhar furtivo, discreto. Cada vez mais, me sinto atraído por esse ser. As vezes, quase sempre, estou observando, sem querer, os movimentos suaves, como se fossem uma dança singela.
Tem vezes que mon ange retribui os olhares que lanço. Como mantém seus olhos fechados, não sei se são olhares de dúvida, de desprezo ou de pura ternura... Claro que eu gostaria que fossem do último, todavia não me engano com essa condição impossível: a pessoa que eu amo não mantém apenas os olhos cerrados e sim seu coração também.
Não que eu deixe que todos percebam o que sinto no mais profundo de meu ser, só que o Cavaleiro de Virgem é alguém que dedicou sua vida a Budha e nunca, nunca mesmo se envolveria com alguém como eu. Para ele sentir algo por mim, só se acontecesse um milagre.

Pequena e branca, pura e resplandecente
Você parece feliz em me encontrar


Só que... ter um peso desses no coração é difícil. Amar uma pessoa que você tem certeza que não te ama, mas mesmo assim ter alguma fagulha de esperança...
Bem, eu resolvi arriscar. Eu não sou uma pessoa que normalmente revelaria até o mais profundo de meu âmago para alguém, só que não consigo mais carregar esses sentimentos dentro de mim. Se não for ser correspondido, prefiro ouvir uma resposta bem objetiva ao invés de sofrer mais com isso... Por isso decidi falar para Shaka de Virgem sobre meus sentimentos por ele.
Imagino como ele reagirá: se vai rir da minha cara, me fitar com desprezo ou, de raiva, me matar? Sinceramente, espero que seja a terceira opção. Sei que é estranho, só que não suportaria ter meus sentimentos, que são sinceros, ridicularizados ou repudiados.

Flor da neve pode florescer e crescer
Floresça e cresça para sempre


O modo de que declararei meu amor é um pouco estranho. Na verdade, veio de uma conversa que eu tive com ele e com Mu, certa ocasião. Estávamos lendo uma enciclopédia e o Cavaleiro de Áries leu o trecho sobre a flor Edelweiss. É o símbolo do amor eterno, já que, como ela só cresce em montanhas, é um risco tentar apanhá-la.
Bem, eu a apanhei. Tudo bem, como eu sou um cavaleiro também, não foi nenhum mistério coletar uma flor da encosta da montanha. Eu sei que Shaka sabe o que dar essa flor a alguém significa e simplesmente a entregarei para ele.

Edelweiss, Edelweiss
Abençoe minha terra natal para sempre


- Posso ajudá-lo em algo, Kamus? - A voz aveludada de meu bem-amado fez com que me sinta no céu.
- Gostaria de entregar uma coisa a você, Shaka. - Por incrível que pareça, estou tentando passar um pouco de ternura em meu tom de voz. Isso é bastante difícil, quando está em minha própria filosofia de vida "ser um guerreiro com capacidade de lutar sem ser confundido por sentimentos".
- O que seria? - Sorriu.
- Bem... Estenda suas mãos, por favor? - Se não fosse o auto-controle desumano que eu desenvolvi, sairia correndo com o rosto corado.

Um sorriso tímido brotou nos lábios do loiro, que me estendeu suas duas mãos unidas em forma de concha. Depositei ali a florzinha e beijei-a logo após isso. Agora, depois de levantar o rosto para encarar Shaka, percebo que ele está com os olhos abertos bastante surpreso.
Só me resta sorrir e murmurar um adeus.
Bem, agora que lhe dei as costas e me preparo para sair da Casa de Virgem, espero que ele me perdoe um dia por isso e...
O que aconteceu agora não foi esperado por mim.
Shaka está me beijando!

- Também te amo, Kamus. - Ele profere essas palavras depois de romper o beijo. Estou sendo abraçado e retribuindo o carinho.

Sou a pessoa mais feliz do mundo, porque estou abraçando mon ange.
E foi graças a uma pequena e delicada flor...


Edelweiss, Edelweiss
Abençoe minha terra natal para sempre


Fim.
Reply
~ Papos & Artes ~

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